Peregrinação Ecológica e Celebração Eucarística – Paróquia São Francisco de Assis

Peregrinação Ecológica e Celebração Eucarística –  Paróquia São Francisco de Assis

Deus da vida, Deus do amor, Deus da Criação. Obrigado por todas as criaturas maravilhosas, grandiosas e imensas que criastes.

Frei Carlos Alexandre da Silva Lima, OFM

Ocorreu na manhã do último domingo dia 24 de agosto a primeira peregrinação ecológica da Paróquia São Francisco de Assis em parceria com a Secretaria do Meio ambiente, em São João del-Rei.

Os caminhantes tiveram a oportunidade de meditar acerca dos 800 anos Cântico das Criaturas e os 10 anos da Encíclica Laudato Si’, no período do percurso, saindo do centro histórico até os pés da Serra do Lenheiro, onde aconteceu a celebração eucarística, com o formulário da Missa da Criação, presidida pelo ordinário local Dom José Eudes, concelebrada pelo pároco Frei Marco Antônio Abrêu Lomar, Frei Ademilson Salvino dos Santos e Frei Carlos Alexandre da Silva Lima.

Semeando Esperança: “Cuidar da Criação é cuidar do futuro”.

Francisco de Assis, um dos santos mais expressivos de todos os séculos e patrono da ecologia, compôs, em sua existência, o Cântico das Criaturas, uma expressão poética e mística de sua profunda relação com o divino. Seu Cântico emana de um coração orante e poético, capaz de reconhecer toda a criação como obra do Altíssimo Senhor. Neste ano, comemoramos os 800 anos de sua composição.

Ao termos contato com o seu Cântico, somos convidados a embarcar em um itinerário para um novo modo de vida. Numa sociedade que destrói a própria garantia de uma vida planetária — com a degradação das matas, a mineração, a poluição dos rios e o aniquilamento de vidas —, o que se percebe é uma falta de “ecovisão”. Falta a percepção de que tudo está interligado, de que somos todos partes integrantes da mesma “casa comum”, como enfatizou o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si’. É urgente mudar nosso olhar em relação à nossa “irmã e mãe Terra”, assim como cantou Francisco de Assis: “Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras.”

Entre Francisco de Assis e o Papa Francisco, em tempos distintos, ambos compartilham a mesma cosmovisão: somos partes integrantes de um mesmo processo criativo e amoroso de um Deus capaz de criar com perfeição todas as criaturas para que possam viver em perfeita harmonia.

Oitocentos anos após sua criação, o Cântico das Criaturas ainda é fundamental em nossa contemporaneidade. O teórico Zygmunt Bauman, ao conceituar a “Sociedade Líquida”, enfatiza que as relações concretas se tornam raras, dando lugar a laços superficiais. Essa liquidez dificulta o aprofundamento em diversos contextos, incluindo nossa interação com a natureza, essencial para um olhar de cuidado e respeito.

A sabedoria ancestral, na voz de Nêgo Bispo, nos lembra: “Nós somos o começo, o meio e o começo”, e não apenas o meio isolado. Somos aqueles que têm o poder de mudar as perspectivas de nossa presença no universo, referendava o Papa Francisco em um dos seus discursos”, reconectando-nos com a criação como parte integrante e não isolada.

É a busca pela interconexão com toda a criação: “Nós vos renderemos graças por causa de vós mesmo, porque pela vossa santa vontade e pelo vosso único Filho com o Espírito Santo criastes todos os seres espirituais e corporais e a nós, feitos à vossa imagem e semelhança, nos colocastes no paraíso.” (Regra não Bulada, Cap. 23).

Deus da vida, Deus do amor, Deus da Criação. Obrigado por todas as criaturas maravilhosas, grandiosas e imensas que criastes.

Obrigado por dares florestas que fornecem o nosso ar e nos dão a sombra de que precisamos nos dias quentes.

Obrigado por nos dar o sol, que brilha intensamente com a sua energia, bem como as chuvas que refrescam e nutrem a terra, trazendo um perfume especial.

Permita-nos reconhecer que a comunidade da terra é uma democracia da vida como um todo, baseada nas economias vivas que são economias locais daqueles que trabalham a terra.

Dá-nos força para defender a diversidade na natureza e na cultura de cada lugar, colocando o bem comum em primeiro lugar, sabendo que todos os seres têm o direito natural ao seu sustento.

Dá-nos a coragem da resistência pela vida e ser resilientes diante daqueles que destroem a Criação e daqueles que lucram com ela para seus próprios interesses.

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