16 de março – Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas

16 de março – Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas

A mudança deixou de ser uma previsão teórica para se manifestar em chuvas torrenciais, secas implacáveis e queimadas que devastam biomas inteiros.

 Frei Oton Júnior, ofm

O que antes era projetado como um cenário distante de futuro tornou-se um presente inegável: o clima já não é mais o mesmo. A mudança deixou de ser uma previsão teórica para se manifestar em chuvas torrenciais, secas implacáveis e queimadas que devastam biomas inteiros. Como advertia o Papa Francisco, “o mundo que nos acolhe está se desmanchando e talvez aproximando-se de um ponto de ruptura” (Laudate Deum, 2). Esse desequilíbrio, fruto de um modelo de desenvolvimento ancorado em combustíveis fósseis e no consumo desenfreado, ameaça hoje a própria continuidade da vida.

Essa crise é profundamente injusta. Populações vulneráveis e comunidades tradicionais, que historicamente menos contribuíram para o aquecimento global, são as que primeiro enfrentam o exílio. Seja pelo avanço do mar ou pela desertificação, o surgimento dos refugiados climáticos expõe a face humana da degradação, confirmando que os impactos atingem várias áreas ao mesmo tempo.

Ondas de calor e enchentes destroem plantações e poluem a água potável, aumentando a fome no mundo. Paralelamente, o aquecimento dos mares e a destruição de florestas aceleram a extinção de espécies, enquanto o desequilíbrio ambiental facilita o surgimento de novas doenças e prejudica a saúde mental coletiva.

Os estudos são categóricos: para evitar que o aquecimento ultrapasse o limite crítico de 1,5°C, precisamos reduzir as emissões globais em 45% até 2030. Esse esforço exige uma transição energética radical, substituindo o petróleo e o carvão por fontes renováveis, além da proteção rigorosa de ecossistemas vitais, como a Amazônia.

Encerrada em novembro de 2025, a COP-30 regulamentou os Artigos 6.2 e 6.4 do Acordo de Paris. Ao estabelecer regras sobre “adicionalidade” e “vazamento”, a Conferência garantiu que os créditos de carbono representem reduções reais. Mais do que técnica, a CPO-30 foi política e social ao ampliar a voz de povos indígenas e garantir que o mercado respeite seus direitos. Isso busca responder ao apelo de que “é necessária uma política que pense com visão ampla e que leve por diante uma nova abordagem integral” (Laudato Si, 197).

O grande desafio permanece o aporte financeiro. A aprovação de USD 26,8 milhões para o novo sistema e a extensão do prazo de migração de projetos para junho de 2026 buscam a segurança jurídica para atrair tecnologias limpas. No entanto, embora a tecnologia e o mercado sejam ferramentas indispensáveis, eles não bastam por si sós.

A verdadeira mudança é ética. Como nos lembra Ailton Krenak, o desafio reside em nossa capacidade de “adiar o fim do mundo”, o que exige priorizar a dignidade humana e o respeito à biosfera sobre o lucro imediato. A governança da COP-30 nos oferece a estrutura; resta saber se estamos dispostos a repensar o paradigma tecnocrático e assumir a coragem de mudar o rumo da civilização.

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