Que o Seminário Seráfico Santo Antônio continue sendo, por muitos anos, um espaço privilegiado de encontro com Cristo, um lugar de paz, de misericórdia e dos nossos encontros.
Equipe Provincial de Comunicação
Na manhã do dia 21 de junho, celebraram-se os 85 anos de fundação do Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont (MG).
A celebração eucarística foi presidida por Dom Frei José Belisário da Silva, OFM, e contou com a presença da fraternidade local, além de frades e formandos vindos de diversas localidades. A capela do seminário ficou pequena diante do grande número de pessoas que se uniram em ação de graças por esta casa tão querida por todos.
O Ministro Provincial, Frei Vicente Paulo do Nascimento, OFM, ressaltou a importância do seminário na vida e na história da Província Santa Cruz. Ele destacou que, para além de sua rotina cotidiana, o espaço cumpre um papel importante ao acolher os principais eventos provinciais, como capítulos e assembleias.
Ao término da celebração, os presentes acompanharam o plantio de uma palmeira nos jardins do seminário, seguido do registro da foto oficial do evento. As festividades foram coroadas com um almoço festivo e fraterno, generosamente servido a todos os convidados.
Homilia de Dom Belisário na celebração de 85 anos do Seminário Seráfico Santo Antônio, em Santos Dumont (21 de junho de 2026).
Caros irmãos e irmãs,
Minha saudação cordial a todos. Uma saudação especial ao Ministro Provincial, Frei Vicente, na pessoa de quem eu saúdo todos os confrades presentes. Merecem também uma saudação especial os representantes dos ex-alunos desta casa, especialmente o Adeir e Carlos, representantes do Enfrades (Encontro Franciscano de Ex-Alunos), e os amigos e amigas desta casa, especialmente os do bairro Santo Antônio.
A proposta nossa, nesse momento, é fazer uma pequena reflexão sobre a história: a história das nossas vidas pessoais, mas também a história humana de todos nós. No Evangelho de hoje (Mt 10, 26-31), a expressão “não tenhais medo” aparece três vezes. É uma espécie de refrão bem acentuado: não tenhais medo, não tenhais medo, não tenhais medo. Por que é que nós não devemos ter medo? Jesus fala: “Porque nada há de encoberto que não seja revelado. E nada há de escondido que não seja conhecido”. Segundo: “podem matar o corpo, mas não podem matar a alma”. Aquilo que é de mais profundo é indestrutível. Finalmente: “porque até os cabelos da vossa cabeça estão contados”.
Confiemos, portanto, na providência de Deus. Tenham coragem. Por quê? Eis os motivos: “nada há que não seja revelado”; “Deus cuida de nós, até os pardais”; “até os cabelos da nossa cabeça estão contados”.
Eu me lembro de que o Papa Francisco, no seu primeiro documento (a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, número 222), nos relembra alguns princípios básicos do trabalho do anúncio do Reino. São quatro princípios, eu vou citar o último: “o tempo é superior ao espaço”. Popularmente, o povo gosta de dizer que “o tempo é o senhor da razão”. Nós somos limitados pelo espaço; trabalhamos no nosso quadradinho, porém com vistas na história (o tempo). Lembremo-nos, portanto, nas nossas vidas pessoais e institucionais, de que há um processo. Esse processo pode ser um processo negativo; o que nós queremos é que seja um processo positivo, um ciclo virtuoso, como se diz. O Reino de Deus, teologicamente afirmando, é sempre vencedor, mesmo quando a morte parece que destruiu tudo. Nós cremos que, em Jesus Ressuscitado, o Reino já se realizou. E nisso está a vida cristã.
O nosso seminário Seráfico Santo Antônio
Eu vou dividir a nossa história de 85 anos em três etapas, concluindo com uma quarta. A primeira etapa seria de 1941, data de sua fundação, até 1968, “o ano que não terminou” (Zuenir Ventura). São 28 anos. Esse período nós poderíamos chamar de o seminário tridentino; a reforma do Concílio de Trento, no século XVI, chegou muito atrasada ao Brasil no século XIX, também para a Ordem Franciscana. O que é que se propunha essa reforma na formação de padres? Essa primeira fase é um seminário para formar “padres franciscanos”, naturalmente. Então, o seminário tridentino tem como características: primeiro, uma seleção rigorosa dos alunos, começando já com a família. Nesse período, por exemplo, filhos de pais separados não eram admitidos, só para dar um exemplo. Ou então, se os nossos pais pertencessem a uma organização não aprovada pela Igreja, também não. Um pai maçom, por exemplo, ou espírita. Era uma seleção rigorosa, acolhendo pré-adolescentes, a partir da conclusão daquele ensino básico antigo, que era com 10, 11 anos, e adolescentes.
Outra característica era a disciplina, uma formação de disciplinas intelectuais bem distintas e com aprovação e desaprovação muito rigorosa. Essa é a primeira fase que, devido aos acontecimentos no mundo e na Igreja, esse seminário tridentino se esgotou, não tinha mais sentido.
E aí nós temos uma segunda fase da história dessa casa. Os internos foram despachados para casa e fechou o seminário. Porém, a casa continuou como escola; o ginásio já estava aberto ao pessoal do bairro e da cidade. E essa casa funcionou, por um certo tempo, como noviciado e como formação de irmãos leigos. Esse período foi breve, seis anos mais ou menos.
Em 1974, passamos para a terceira fase. Retoma-se a formação especificamente de jovens para entrar na Ordem Franciscana: surgia a Comunidade de Jovens Franciscanos. Não é mais um seminário para formar só padres; era para formar franciscanos, padres ou irmãos leigos. Essa fase é bastante longa, até 2023, são 49 anos. Uma das características desta fase é a seguinte: não se aceitam mais pré-adolescentes, mas jovens já na adolescência e, em princípio, no ensino médio; e os estudos formais, na maior parte do tempo, realizando-se em escolas públicas e privadas da cidade e sendo complementados em casa.
São estas as três fases desta casa: a primeira, o seminário tridentino; a segunda, uma fase intermediária; a terceira, a Comunidade de Jovens Franciscanos. E aí, numa conclusão, nós estamos numa quarta fase: esta casa se preparou para atender encontros, retiros e formação. É esta fase que nós estamos vivendo.
A pergunta fundamental é a seguinte: “valeu a pena?” Poderíamos responder de uma maneira assim, dizendo: “Ah, valeu a pena, formou alguns presbíteros, padres, ex-alunos brilhantes no mundo”. É verdade. Porém, eu prefiro responder com a conclusão da obra “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto, 1955), chamando a atenção não para um otimismo simplório e inconsequente, mas para aquilo que há de fundamental na nossa vida:
O Severino, retirante, chega a Recife procurando soluções pessoais para a sua vida. E, quando ele chega e vê diante de si aquela vida miserável dos trabalhadores de fábrica, mas especialmente dos catadores de siris e caranguejos, das favelas, ele se desespera. E, quando ele já se dispõe a pular da ponte e da vida, conversa com o “seu José, mestre carpina”. Interessante: José carpinteiro.
“- Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva”.
Então, o que é que tinha acontecido? Nasceu mais um filho de seu José. Então, é a vida respondendo a ela mesma.
“E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina”.
Caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus ilumina os nossos passos. Não tenhamos medo. Assim diz Jesus: “não tenhais medo. Coragem”. Então, essa palavra nos retoma hoje diante das nossas vidas pessoais e da vida desta casa, das nossas famílias, das nossas instituições. Valeu a pena? Valeu e vale. Então, a nossa conclusão é uma conclusão otimista. Esse otimismo, porém, vem com um sentimento que não pode ser um otimismo frágil, um otimismo sem sentido; é, no fim das contas, dizer que a graça de Deus é que nos redime. A graça é superior a todas as nossas obras, àquilo em que a gente por acaso tem algum mérito, pessoas ou instituições. Então, a graça de Deus nos acompanhe hoje e sempre. Amém.
Agradecimentos do Guardião, Frei José Bandeira de Oliveira
Queridos irmãos e irmãs, reunidos para os 85 anos de história do Seminário Seráfico Santo Antônio. Esta casa que é tão querida, plantada nesta cidade de Santos Dumont, foi fundada ao longo das décadas pela oração, pelo trabalho e pelo testemunho incontável de homens e mulheres que aqui deixaram as suas marcas.
Nesta ocasião tão significativa, queremos, em nome de toda a nossa fraternidade, dirigir nossa saudação e nosso reconhecimento a todos vocês aqui presentes, especialmente ao presidente desta celebração, Dom Belisário, que conhece muito bem a história desta casa, onde morou por muitos anos, e que prontamente aceitou estar aqui hoje presidindo e prestigiando este momento de grande significado para a nossa Província Santa Cruz. Agradeço também a presença do Ministro Provincial, Frei Vicente Paulo, que anima e conduz a caminhada de nossa Província Santa Cruz, e aos demais frades aqui presentes, a nossa gratidão a vocês por terem saído de longe, de Belo Horizonte, São João del-Rei e demais lugares, para estarem aqui hoje prestigiando esta nossa celebração tão importante para nós. A nossa gratidão, então, pela presença de todos vocês. Saibam que a casa aqui é nossa e, claro, este momento é de todos nós.
Gratidão também aos vocacionados que estão aqui hoje presentes; aos religiosos passionistas e aos Arautos do Evangelho, que também estão aqui hoje nesta gratidão.
Gratidão ao diácono Sebastião, que cresceu por aqui e faz parte deste lugar desde criança. Nossa gratidão pela sua presença aqui no nosso meio.
Dirijo-me também aos membros do Enfrades e aos ex-formandos, a todas aquelas pessoas que passaram por esta casa e que hoje estão presentes em nosso meio. Vocês continuam fazendo parte desta história. Obrigado a todos vocês pela presença.
Aos nossos atuais colaboradores desta casa que, com tanta dedicação e carinho, ajudam a nós frades a manter viva e bem cuidada esta casa. Quero citar aqui os nomes dos nossos funcionários, nossos colaboradores: o Igor, o Ramon Aparecido, o Eduardo, o Jean, o outro Ramon (são dois), a Liliane, a Mônica, a Denísia e a Adriana. Nós agradecemos a todos vocês por esta colaboração.
Nesta ocasião, quero também agradecer àqueles benfeitores que, quando precisamos e batemos à porta, prontamente nos auxiliam. Há várias pessoas aqui; não vou citar nomes de ninguém, mas vocês saibam muito bem de quem estou dizendo. Recordo-me também dos profissionais que trabalharam por aqui durante muitos anos, os que dedicaram as suas vidas como professores, psicólogos, médicos e educadores; pessoas que trabalharam também no sítio, nas obras, nas reformas desta casa, na cozinha e na limpeza. Nossa gratidão a todos vocês que passaram e colaboraram aqui.
Agradeço também às autoridades civis que estão presentes, bem como a todos os amigos do seminário que vieram compartilhar conosco esta hora de ação de graças, não só hoje, mas também em todos os domingos e dias da semana em que vocês estão aqui celebrando conosco. A nossa eterna gratidão pela presença de todos vocês.
Nesta celebração acontece um momento particularmente rico e de grande significado. Há poucos dias, no último dia 13 de junho, rendemos graças a Deus pela festa de Santo Antônio, doutor evangélico, taumaturgo e padroeiro desta nossa casa. Que seu exemplo continue iluminando gerações que aprenderam a amar a Cristo, a Igreja e os pobres.
Ao mesmo tempo, toda a nossa família franciscana vive neste ano de 2026 a memória dos 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis, momento sagrado em que o Pobrezinho deixou este mundo para encontrar-se definitivamente com o Senhor. Celebrar este oitavo centenário é recordar que a santidade não é uma realidade distante, mas um caminho possível para todos aqueles que, como São Francisco, colocam o Evangelho no centro da vida.
Ao contemplar os 85 anos deste seminário, fazemos memória agradecida de um passado repleto de bênçãos. Quantas vocações nasceram e amadureceram neste lugar! Quantos religiosos, padres, missionários e leigos comprometidos encontraram aqui uma sólida formação humana, intelectual, espiritual e fraterna! Quantas histórias de amizade, de crescimento e de discernimento foram tecidas sob o olhar previdente de Deus!
Esta casa foi construída sobre os fundamentos da espiritualidade franciscana: a simplicidade, a fraternidade, a oração, o amor à Igreja, o cuidado com os mais necessitados e a busca sincera da vontade de Deus. Durante oito décadas e meia, esses valores moldaram gerações e continuam sendo o farol para os desafios presentes. Entretanto, recordar o passado não significa permanecer estagnado. A memória que hoje celebramos deve ser um estímulo para vivermos bem o presente e acolhermos com esperança o futuro que se levanta diante de todos nós. Somos herdeiros de uma história preciosa, mas também responsáveis por transmiti-la às novas gerações. Que Santo Antônio interceda por esta casa e São Francisco de Assis continue inspirando sua missão evangelizadora.
Que Deus recompense abundantemente todos aqueles que ao longo destes 85 anos contribuíram para a construção desta história, e que o Seminário Seráfico Santo Antônio continue sendo, por muitos anos, um espaço privilegiado de encontro com Cristo, um lugar de paz, de misericórdia e dos nossos encontros.
Por tudo que recebemos, por tudo que vivemos e por tudo que ainda esperamos, elevemos juntos a nossa gratidão ao Senhor da história. Após a bênção final, simbolizando e marcando esta data dos 85 anos, nós vamos ali fora no jardim, pois plantaremos uma palmeira para registrar essa data importante do seminário. Logo em seguida, vamos tirar a foto oficial. Obrigado a todos pela presença. Deus abençoe a todos. Paz e bem!


























