São Vicente de Paulo, o Santo das cinco virtudes que nos impelem ao serviço aos pobres

São Vicente de Paulo, o Santo das cinco virtudes que nos impelem ao serviço aos pobres

Simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo: as cinco virtudes que sustentam o carisma vicentino.

Leonardo Balbino de Magalhães[1]

As virtudes são meios que nos levam a vivenciar melhor a espiritualidade e as máximas evangélicas. Por meio das virtudes, tornamo-nos verdadeiros missionários, que buscam configurar-se ao próprio Cristo, visto que Ele é o grande exemplo de vida casta, pobre e obediente a Deus. Para a vivência dos conselhos evangélicos, Vicente de Paulo destaca cinco virtudes como essenciais, e que devemos nos esforçar para cumpri-las: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo. Compreender o que elas representavam para Vicente de Paulo e, hoje, o que elas nos dizem, como nos ajudam a viver nossa vocação e seguimento de Jesus Cristo, o evangelizador dos Pobres, é essencial para trilharmos o caminho da caridade.

A virtude da simplicidade remete-nos a sermos simples. Ser simples é ser tal qual se é. Isto significa dizer a verdade, mostrar-se verdadeiro, coerente e sincero. A simplicidade se manifesta na forma de falar, de vestir, de pensar, de refletir. Como ser simples é também dizer a verdade, pela fé, a verdade nos leva a atribuir as coisas a Deus. Fácil de reconhecer e difícil de se definir, essa virtude influencia a vida moral, os pensamentos, palavras e ações. Ajuda-nos na pureza de intenção, na lealdade, a transcorrer sem rodeios, sem disfarces, mas com retidão.

A virtude da humildade lembra-nos que tudo vem de Deus e nós não somos donos de nada. Ser humilde é não querer aparecer, não querer o primeiro lugar, mas reconhecer a importância de ajudar os irmãos e colocar-se como servidor. De acordo com Vicente de Paulo, a humildade é o fundamento da perfeição, é indispensável para a prática das virtudes e se faz necessária para a prática da caridade. Vicente colocou a humildade como base para as obras de caridade. Considerava que, sem ela, o cristão não poderia praticar o amor a Deus e o amor ao próximo.

A virtude da mansidão remete a sermos mansos. Lembra-nos de termos doçura no trato com as pessoas, agirmos com calma, equilíbrio e sermos acessíveis nos relacionamentos, nas palavras, nos serviços, evitando ações por impulso. A docilidade, amabilidade e receptividade corroboram com o ensejo de sermos mansos. Vicente de Paulo destacou aos missionários que é preciso evitar momentos de cólera e, para isso, deve-se usar o amor de nosso Senhor. Destaca a necessidade de manter a serenidade e a cordialidade para que possamos servir de consolação.

A mortificação, primeiramente, leva-nos a significá-la como “fazer a morte”. Esta virtude não nos chama a matar nada nem ninguém, mas a submeter, a destruir aquilo que faz mal ou está em desacordo com a boa convivência. Ela pode ser entendida, portanto, como renúncia voluntária em prol de configurarmo-nos a algo melhor. Vicente de Paulo nos lembra que, para a salvação das almas, a virtude da mortificação faz-se necessária, pois não há como pregar penitências aos outros se, primeiramente, em nossas ações e comportamentos, estamos vazios dela. A virtude da mortificação nos ajuda a adquirir as demais virtudes, pois ela suprime tudo o que nos pode impedir de alcançá-las.

Zelo é o trabalho de cuidar, de ajudar, é esforçar-se, ter iniciativa, tomar ação com vistas ao bem comum. Zelar é amparar, é buscar que as coisas estejam em dia e que as pessoas estejam bem. Esta virtude vicentina é também chamada de zelo apostólico ou de zelo pelas almas. É indispensável aos que irão evangelizar e servir aos irmãos. A virtude do zelo contribui para participar no mistério de Cristo e em sua caridade missionária.

As cinco virtudes vicentinas devem animar os missionários. Elas nos ajudam a melhor vivermos nosso carisma e a configurarmo-nos ao próprio Cristo. A simplicidade, a humildade e a mansidão corroboram com nossa maneira de melhor nos portarmos e servirmos no apostolado. A mortificação, por sua vez, faz-se necessária para que abramos nossos corações à vivência destas virtudes. O zelo se demonstra como a prática do amor que as outras virtudes nos impelem.

Para que a missão evangelizadora seja exercida da forma como os nossos Mestres e Senhores, os Pobres, merecem, os missionários devem conhecer as virtudes vicentinas e, com especial dedicação, esforçar-se para que se apropriem delas e deem delas testemunho. As obras de caridade empreendidas por Vicente de Paulo tomaram tamanha proporção que hoje a Congregação da Missão encontra-se por inúmeros países pelo mundo, assim como a Família Vicentina (conjunto dos ramos fundados por Vicente, ou fundados depois, inspirados em sua obra e carisma).

Vicente de Paulo nos convida a observar a importância e utilidade das cinco virtudes e, compreendendo-as, tomá-las como nossas, intrínsecas ao nosso carisma e essenciais ao exercício do seguimento de Jesus Cristo, o evangelizador dos Pobres.

Seja você também um missionário ou missionária vicentina!


[1] Seminarista da PBCM – Província Brasileira da Congregação da Missão

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