São Francisco: um caminho que continua vivo

São Francisco: um caminho que continua vivo

Celebrar São Francisco de Assis é mais do que recordar a história de um homem que viveu há oito séculos. É reconhecer que seu modo de viver o Evangelho continua inspirando pessoas, comunidades e iniciativas que, ainda hoje, desejam construir um mundo mais fraterno, solidário e atento à dignidade de cada ser humano e de

Celebrar São Francisco de Assis é mais do que recordar a história de um homem que viveu há oito séculos. É reconhecer que seu modo de viver o Evangelho continua inspirando pessoas, comunidades e iniciativas que, ainda hoje, desejam construir um mundo mais fraterno, solidário e atento à dignidade de cada ser humano e de toda a Criação.

Francisco descobriu no Evangelho um caminho de transformação. Ao escolher a simplicidade, a pobreza, a fraternidade e o serviço, não buscou afastar-se do mundo, mas estar nele de uma maneira nova: com um olhar capaz de reconhecer o irmão, a irmã e todas as criaturas como dons de Deus. Seu testemunho nos convida a mudar não apenas aquilo que fazemos, mas também a maneira como olhamos para nós mesmos, para os outros e para a Casa Comum.

Viver franciscanamente é, portanto, um processo cotidiano de conversão. É aprender a ser menor, a escutar antes de julgar, a acolher antes de excluir, a partilhar em vez de acumular, a servir em vez de buscar reconhecimento e a transformar a fé em atitudes concretas. É compreender que seguir Francisco vai muito além da devoção: significa assumir, cada um a seu modo e em sua realidade, o desafio de configurar a própria vida ao Evangelho.

Esse caminho se manifesta de muitas formas. Está na vida de quem escolhe a fraternidade como princípio; no trabalho de quem se coloca a serviço dos mais vulneráveis e da defesa dos direitos; na educação que oferece oportunidades e alimenta sonhos; no voluntariado que transforma tempo, talentos e disponibilidade em cuidado com o outro; na juventude que busca construir justiça e paz; e também nas pequenas escolhas cotidianas de simplicidade, compaixão, solidariedade e cuidado com a criação.

Os depoimentos que seguem revelam justamente essa diversidade. São experiências diferentes, vividas em contextos distintos, mas unidas por uma mesma inspiração, a certeza de que o Evangelho pode ser vivido concretamente e de que os valores que Francisco e Clara testemunharam continuam capazes de transformar pessoas e realidades.

Francisco permanece vivo quando alguém se dispõe a caminhar com o outro, quando uma mão se estende para quem precisa, quando o conhecimento é compartilhado, quando a esperança é oferecida a quem enfrenta dificuldades, quando os direitos são defendidos, quando a natureza é respeitada e quando escolhemos construir pontes em vez de muros.

Neste Dia de São Francisco de Assis, somos convidados não apenas a admirar seu exemplo, mas a perguntar o que seu caminho nos provoca a viver hoje.

Seguir Francisco é um desafio e um aprendizado constantes! Desde que decidi ser franciscana secular, vi minha vida ser transformada constante e diariamente, num movimento de conversão, em todos os aspectos. É uma busca profunda de conhecer a si mesmo e ao Senhor, bem como a tudo o que nos rodeia – as pessoas e todas as criaturas. É mudar o olhar e as atitudes! Ser franciscana(o) secular vai muito além de ser “devota(o) de São Francisco”, mas abraçar o seguimento de Cristo ao modo de Francisco e Clara. Não é abandonar as nossas responsabilidades no mundo, mas viver nelas os ensinamentos do Cristo Pobre, Humilde e Crucificado. Quem decide viver o caminho franciscano como OFS não recebe um prêmio espiritual, mas assume um compromisso contínuo de ser um testemunho autêntico de vida Evangélica. De uma coisa eu tenho certeza: vale muito a pena!

 Ana Carolina Miranda, OFS

São Francisco de Assis: um carisma que continua a transformar vidas

São Francisco de Assis descobriu no Evangelho o caminho para uma vida verdadeiramente livre: seguir a Cristo com um coração simples, pobre e inteiramente disponível ao amor.

Ao abraçar a pobreza, não buscou apenas renunciar às riquezas, mas encontrar em Deus o seu verdadeiro tesouro. Ao escolher a fraternidade, reconheceu em cada pessoa um irmão e uma irmã. Ao contemplar a criação, aprendeu a louvar o Criador e a cuidar, com reverência e gratidão, de tudo aquilo que Deus confiou às nossas mãos.

O carisma franciscano continua tão atual porque nos chama a voltar ao essencial. Em meio a um mundo tantas vezes marcado pelo individualismo, pela indiferença e pela divisão, Francisco nos recorda que o Evangelho pode ser vivido na simplicidade das pequenas coisas: no serviço humilde, no perdão, na fraternidade, na compaixão e na busca incansável da paz.

Francisco não quis simplesmente falar de Cristo; quis configurar sua vida ao Evangelho, seguindo os passos do Senhor pobre e crucificado. E foi justamente essa coerência de vida que tornou seu testemunho tão fecundo.
Seu legado continua vivo cada vez que alguém escolhe servir em vez de dominar, perdoar em vez de guardar ressentimentos, partilhar em vez de acumular e construir pontes em vez de levantar muros.

Que o Senhor nos conceda, pela intercessão de São Francisco e de Santa Clara, um coração simples e disponível, capaz de reconhecer a presença de Deus em cada irmão, em cada irmã e em toda a criação.

E que possamos, como Francisco e Clara, fazer de nossa própria vida expressão do AMOR, da PAZ e do BEM que vem do Coração do Pai das misericórdias:
“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.”
Paz e Bem!

Madre Maria Karolyne, Mosteiro Santa Clara

Valores Franciscanos na Prática: Serviço e Defesa dos Direitos

Trabalhar no Centro Franciscano de Defesa dos Direitos tem me ajudado a compreender São Francisco para além de sua história e espiritualidade.

No cotidiano, percebo como seus valores de simplicidade, fraternidade e cuidado com o outro permanecem atuais. A convivência com diferentes pessoas me ensina a olhar para cada história com respeito, sensibilidade e empatia. Sua opção pelos mais vulneráveis inspira minha atuação e meu compromisso com a dignidade humana.

Procuro transformar esses valores em atitudes concretas de acolhimento, escuta e defesa dos direitos. Essa experiência também me ensina que servir exige humildade, disponibilidade e abertura para aprender. Os encontros e as histórias que vivencio diariamente também contribuem para o meu crescimento pessoal.

São Francisco me inspira a enxergar o outro como alguém com quem posso caminhar e aprender. Assim, meu trabalho ganha um sentido maior e se torna uma forma de contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna.

Viver esses valores é aprender, todos os dias, que cuidar das pessoas também é uma forma de transformar o mundo.

Feliciano José Kissua. Centro Franciscano de Defesa dos Direitos

Vivendo franciscanamente

Louvado sejas, meu Senhor, por nos ter dado Francisco como modelo a nos inspirar no estilo de vida agradável ao Pai! Assemelhar-nos a Francisco implica cultivar, cotidianamente, seu carisma, manifesto em humildade, pobreza, compaixão, solidariedade e cuidado com a Casa Comum.

Cultivamos a humildade quando não nos colocamos como superiores ao outro, mas nos fazemos menores na relação com ele e o tratamos como irmão, pois, diante de Deus, todos somos iguais.

Vivemos a pobreza quando rejeitamos o consumo excessivo, o acúmulo de bens e a opulência, e praticamos a caridade com a partilha, sobretudo com os mais necessitados, daquilo que, por graça, o Pai nos concedeu.

Praticamos a compaixão quando não julgamos nem condenamos o outro por suas fraquezas, mas nos lembramos de que Deus é misericordioso e, como Ele, também devemos ser, perdoando-o como o Pai sempre nos perdoa.

Cultivamos a solidariedade quando deixamos de lado a indiferença e nos fazemos presentes na vida do irmão, principalmente em momentos de dor, escutando-o e confortando-o com palavras e gestos que minimizam seu sofrimento.

Vivemos o cuidado com a Casa Comum quando a reconhecemos como obra divina, diversa e bela, e optamos por protegê-la, preservando sua riqueza e economizando seus recursos.

“Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas!”

Maria Bernadete Rehfeld – Leiga, Paróquia São Francisco da Chagas

Quando experienciamos o modo de vida de Francisco de Assis, ele passa a moldar a lente com a qual vemos o mundo, os outros e nós mesmos: pela lente da fraternidade.

Escrevo “experienciamos” justamente por acreditar que é a experiência do franciscanismo, e não o seu conhecimento, que nos transforma. Minoridade e sensibilidade traçam o caminho que Francisco nos apresenta e que me proponho a caminhar, no meu caso, junto à Juventude Franciscana (Jufra).

Com jovens também inspirados pelo ideal franciscano de vida, tenho a oportunidade de vivenciar a fraternidade em uma constante relação guiada pelo respeito à vida, pela construção da justiça social e pelo serviço ao outro, no anseio da vivência plena do Evangelho.

Francisco segue sendo jovem e gritando ao mundo por nossas vozes!

Thiago Loyola Franco, JUFRA – Fraternidade A Caminho do Francisclarianismo, de Salinas/MG

Na Educafro, sou professora, mas também sou estudante de Letras na UFMG, e aprendi que uma coisa não existe sem a outra. Vim do ensino público e sei o que significa precisar de uma oportunidade, de alguém que acredite em você.

Por isso, quando entro na sala de aula, não encontro apenas alunos: encontro pessoas que, assim como eu, carregam sonhos e esperam que alguém acredite neles.

São Francisco nos ensina a viver assim como Jesus: levar esperança onde houver desespero, algo que se encontra muito nos momentos que antecedem as provas, e ser instrumento da paz, como ele foi.

Ninguém sabe tudo, e todos têm algo a oferecer. Quando ensino, também aprendo, todos os dias, com as histórias, as dúvidas e a coragem de cada um.

São Francisco nos ensina a tratar todos como irmãos, e é assim que me sinto na Educafro: dividimos conhecimento, tempo e esperança. Cada aula é um gesto de cuidado, carinho, amor e esperança.

Aíssa Giovanna  –  Voluntária Educafro Minas

Assim como São Francisco ensinou que é dando que se recebe, a missão do voluntário é se doar, com o coração disponível, para construir uma sociedade mais igualitária. Cada um contribui como pode, dentro de seus talentos e possibilidades. E quem doa é quem precisa agradecer por poder fazer.

Enquanto trabalhamos de forma remunerada, recebemos a retribuição do mundo, mas, ao trabalharmos voluntariamente, vamos além e reafirmamos o pedido de Jesus de amarmos uns aos outros.

Hoje em dia, pode-se passar horas do dia em ociosidade nas redes sociais, com uma sensação de tempo perdido. Se esse mesmo tempo é revertido em auxílio ao próximo, de tantas e variadas formas, essa sensação muda.

O bem que fazemos à nossa volta impacta o mundo inteiro.

Ana Luísa Alves – Voluntária na Associação Irmão Sol desde 2011

A minha experiência como voluntária na Educafro sempre foi uma grande chance de compartilhar o bem e ajudar a impulsionar trajetórias de pessoas negras e periféricas que, assim como eu, enfrentam diversos obstáculos para conseguir acessar uma educação que seja realmente eficaz e emancipatória.

Na sala de aula, podemos desempenhar ações de ajuda ligadas à introdução de ideias potentes que empoderam e demonstram como vir de posições menos privilegiadas da sociedade não é uma sentença que encerra a chance de perseguirmos os nossos objetivos pessoais e que todo esse processo não precisa ser inteiramente individual, mas também coletivo.

Em um de seus ensinamentos, Santo Antônio diz: “Comece a fazer o que é necessário, logo estarás fazendo o possível e perceberás que estarás fazendo o impossível.”

E eu acredito muito que esse trabalho com a Educafro e a educação popular é o necessário e o possível que estamos construindo e irá nos levar a conquistar patamares que, inicialmente, pareciam impossíveis.

Raissa Emanueli – Coordenadora Núcleo Educafro Maria Magela 

Leia outras notícias