Nossa homenagem e gratidão a todos que, com generosidade e amor, constroem um mundo mais humano e fraterno.
Hoje celebramos o Dia Nacional do Voluntário, uma data para reconhecer e valorizar todas as pessoas que dedicam seu tempo, talentos e coração em prol do bem comum. Ser voluntário é transformar realidades com pequenos e grandes gestos de solidariedade, é estar a serviço da vida e da esperança.
Quisemos ouvir quem faz a diferença com seu tempo e dedicação. Fizemos algumas perguntas a pessoas que vivem essa realidade e compartilhamos aqui suas respostas.
– O que fazemos que se torna sinal de esperança? – Temos esperança em que e do que? – Por que a gente não desiste?
Esperanças renovadas
A cada virada de ano ou em datas comemorativas ocasionais, entre os votos calorosos transmitidos aos amigos, o anseio de tempos melhores é um desejo recorrente que nunca fica de fora. Neste ano, em especial, proclamado como jubilar pelo querido Papa Francisco, a renovação da esperança, da fé, e os exercícios de perdão, compaixão e tolerância são cada vez mais urgentes numa sociedade repleta de guerras, sejam armadas, sociais ou ideológicas.
Como voluntária da Associação Irmão Sol há quase 15 anos, penso que não há reavivamento da esperança mais potente do que o ato de doar-se ao auxílio de um irmão. Quando visitei pela primeira vez a Casa dos Pequenos, logo entendi que aquelas mãozinhas frágeis a apertar nossos dedinhos, procurando cumplicidade e colo, eram um exemplo claro e um chamado ao amor pedido por Jesus. Dar as mãos a uma criança em situação de abandono ou afastada de sua família inicial, nos faz, instantaneamente, querer fazer mais e desejar que, não apenas ela tenha um futuro feliz, mas que o mundo inteiro melhore, para que todas as crianças possam crescer com dignidade, afeto e direitos respeitados.
Nos meses que se seguiram, reuni amigos e, juntos, mobilizamos uma complexa reforma, realizada integralmente por voluntários, com recursos e materiais 100% adquiridos através de doações. Durante as longas esperas por cada etapa, muitas vezes fraquejei e achei que não daríamos conta de concluir aquele desafio. Rezava, “Senhor, eu creio, mas aumentai minha fé”, e era estimulada por vozes doces e indefesas a balbuciar em meu ouvido: tia Ana, nossa casa está ficando mais bonita, né? A expectativa no olhar daquelas crianças derrubava meus receios e cansaços e me fazia ter a certeza de algo ainda maior, a esperança é coletiva. Quando acreditamos sozinhos em algo, podemos ser facilmente vencidos, mas quando acreditamos unidos, seguimos adiante, apesar das dificuldades. Após a conclusão da obra e a transformação na rotina de cada acolhido que passa ou passou por ali, não restavam dúvidas de que cada gota de suor ou lágrima havia valido a pena.
Aos poucos, fui conhecendo cada uma das casas, entendendo as particularidades dos acolhidos, ouvindo histórias e sonhos dos adolescentes, sonhando com eles e por eles, estreitando as convivências e, ao invés de desistir, pensava em como cada um de nós, independentemente do tamanho da ajuda oferecida, carrega em si a dádiva de transformar vidas e rumos, se nos unirmos a causas que precisam.
Tenho total consciência de que o abismo da desigualdade social é bem mais complexo e profundo do que conseguimos resolver com apoio voluntário, e deve envolver a sociedade inteira. Porém, mesmo percebendo que os avanços são lentos, frágeis e que vivemos num sistema que privilegia valores distorcidos, não há melhor alimento para a alma do que sentir-se usado por Deus para socorrer a quem precisa, uma vez que nenhum de nós passa por essa vida sem necessitar de algum tipo de auxílio.
Enquanto houver seres com carências a serem supridas, e corações dispostos a apoiá-los com empatia, o fluxo de esperanças renova-se a cada dia.
O que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos é a mim que o fazeis” (Mt 25,34-46)
Ana Luísa de Moraes é jornalista, atriz e autora/roteirista.
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O que fazemos que se torna sinal de esperança?
Educar, é um ato de esperança. Penso na educação como uma ação que leva a todos, homens e mulheres, a descobrirem suas capacidades e a desenvolverem-se enquanto indivíduos, construindo valores e atitudes que os faça viver melhor em sociedade. Diante de tantas incertezas e incompreensões, precisamos desenvolver a escuta, o diálogo, o comprometimento e a confiança, elementos encontrados na educação. Enquanto educador, afirmo que nosso trabalho leva os alunos e alunas na descoberta de um novo mundo que precisa ser marcado por relações saudáveis de respeito e responsabilidade para com o outro. É sinal de esperança desenvolver, a partir da educação, a empatia e a solidariedade. Educamos para estabelecer a paz e para construir laços de amizade.
Temos esperança em que e do que?
Temos esperança em transformar o mundo em um lugar melhor, encorajar os educandos a pensar por si mesmas e formar pessoas que transformem a realidade ao seu redor. Tenho esperança de plantar em cada criança e adolescente a semente do bem e do amor, esperança de que elas levem para suas vidas os valores ensinados. Minha esperança é que meus alunos percebam a importância de tornar a sociedade mais justa, humana e fraterna a partir, sobretudo, do testemunho.
Por que a gente não desiste?
Não desistimos porque somos sonhadores, acreditamos ser agentes de transformação. Penso que nossa profissão e ação se embasa na crença que algo melhor está por vir. Trata-se de conjugar o verbo “esperançar”, esperar, não com passividade, mas com luta, com confiança. Como educador, não desisto porque tenho a educação como ferramenta de transformação, sei dos impactos que ela produziu na minha vida. Somos semeadores da esperança e, embora, muitas vezes sabemos que não vamos colher precisamos plantar.
Paulo Gustavo Dias Oliveira – Professor de Ensino Religioso e Coordenador Pastoral do Colégio Santo Antônio
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O que fazemos e se torna sinal de esperança?
Na minha perspectiva, o campo do serviço social dentro da instituição é privilegiado em diversos aspectos. Isso porque ele se insere como um verdadeiro sinal de esperança em um mundo marcado por desigualdades. Nosso trabalho é, essencialmente, incluir aqueles que estão à margem — nas periferias, nas comunidades, nos espaços de invisibilidade social. Acordar todos os dias com a missão de promover dignidade, equidade, justiça social e gratuidade não é apenas sinal de esperança, mas sim a concretização de um projeto de vida pessoal e institucional.
Temos esperança em quê e de quê?
Esperançar, dentro de uma instituição franciscana, significa acreditar na criação de Deus em sua totalidade. No meu campo de atuação, acredito nas futuras gerações, acredito em cada pessoa que passa pelos nossos atendimentos. Se conseguirmos plantar, em cada um, uma semente de paz e bem, já teremos algo a colher no futuro. No entanto, a urgência do tempo presente exige de cada um de nós ações concretas, pois não podemos mais adiar a construção de um mundo melhor. Precisamos mobilizar pessoas no cotidiano, pois é no aqui e agora que se constrói a transformação. Ter esperança é manter o vínculo com à vida e à criação.
Por que a gente não desiste?
Desistir não é uma opção quando se quer viver e contribuir para um mundo melhor. Eu sonho com uma comunidade cada vez mais diversa, onde o respeito seja a base de todas as relações. A esperança que carregamos nos impulsiona, dia após dia, a continuar com fé, compromisso e amor.
Luana Calixto – Coordenadora do Serviço Social da Associação Franciscana de Educação
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O que fazemos que se torna sinal de esperança?
ACOLHIMENTO, na dimensão da totalidade da palavra, gestos à priori simples que reverberam e impactam profundamente na pessoa, “geralmente” fragilizada que nos solicitam. -Ficar de pé, ao atender, olhar fito, escuta atenta, ofertar algo, aconchego, mostrar possibilidades (caminho), auxiliar nas decisões, direcionamento rápido.
Esperança em que e do que?
“Esperança” que o serviço seja continuado e que receba apoio, de quem está ao redor (efeito água quando entorna do copo – molha as bordas primeiro), tornando de fato uma rede fraterna, atenta às contemporaneidades (mudanças), que seja capaz de reforçar-se e assim sustentar (levantar) o outro; também com percepção aguçada de forma intra, e um olhar cuidadoso, para aqueles (as) que cuidam.
Por que a gente não desiste?
O caminho percorrido vai mostrando com erros e acertos que ele é uma saída possível diante de muitos resultados grandiosos para o outro. (conhecimento, formatura, saúde integral, pertença)
Laci dos Santos – Coordenador Pastoral Centro Franciscano de Defesa dos Direitos (CEFAD)