“Uma fraternidade que anima a vida provincial”: Frei Massimo Fusarelli reúne-se com o Definitório da Província Santa Cruz em Belo Horizonte

“Uma fraternidade que anima a vida provincial”: Frei Massimo Fusarelli reúne-se com o Definitório da Província Santa Cruz em Belo Horizonte

Reunião privada nesta segunda-feira, 6 de abril, reuniu o Ministro Geral e o Definidor para América Latina com o Definitório Provincial para debater desafios, potencialidades e o caminho de animação fraterna.

Frei Laércio Jorge, OFM[1]

Belo Horizonte (MG) – A tarde do dia 6 de abril foi de escuta profunda e partilha transparente. Na Cúria Provincial, em Belo Horizonte, Frei Massimo Fusarelli, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, e Frei César Külkamp, Definidor Geral para a América Latina, reuniram-se em caráter privado com o Definitório Provincial. O encontro começou às 16h e só se encerrou às 18h30 – duas horas e meia de diálogo franco, regado pela oração e pelo desejo comum de caminhar em sintonia com o carisma franciscano.

A abertura se deu com a oração do Ofício Divino das Comunidades (ODC) e a Oração a São Francisco pela paz (Papa Leão XIV) celebrando a luz do Cristo ressuscitado, que venceu o sepulcro, e iluminou cada partilha deste encontro.

O primeiro momento foi de apresentação. Os definidores, o Vigário Provincial, o Ministro Provincial e o Secretário Provincial deram seus nomes e rostos à visita. Em seguida, foi a vez de apresentar a própria Província Santa Cruz: seu território de atuação – que abrange diversas cidades mineiras e frentes de missão –, o número de frades, as fraternidades espalhadas pelo estado e as múltiplas frentes da missão evangelizadora. Documentos do corpo legislativo próprio da Província também foram entregues e comentados, demonstrando o amadurecimento da instituição.

Num espírito de abertura e discernimento, o Definitório Provincial compartilhou uma análise realista da Província Santa Cruz, elencando fragilidades, pontos fortes e os principais desafios enfrentados atualmente. A partir desse diagnóstico, o diálogo avançou para a retomada e o aprofundamento de temas alinhados à caminhada da Ordem, com especial atenção a três eixos fundamentais: Relações Fraternas, Comunicação e Economia Fraterna.

Sobre as relações fraternas, Frei Massimo e Frei César insistiram na necessidade de que o Definitório Provincial seja, antes de tudo,

“uma fraternidade que anima a vida provincial”. Não se trata de um órgão administrativo frio, mas de um coração que pulsa e irradia o espírito de minoridade e acolhida.”

No campo da comunicação, alertou-se para os desafios de uma Província dispersa geograficamente e para o risco de que a falta de diálogo gere isolamento.

A comunicação, lembrou o Ministro Geral, “não é apenas transmissão de informações – é construção de vínculos.”

Quanto à economia fraterna, o diálogo tocou num ponto sensível:

“como viver a pobreza evangélica em um mundo que empurra para o consumo e a acumulação? Como administrar os bens da Província com transparência, partilha e cuidado com os mais necessitados, sem cair no assistencialismo ou na mera gestão empresarial?”

Ao longo da reunião, retomaram-se e aprofundaram-se temas já abordados em outros momentos da visita, sempre em consonância com a caminhada geral da Ordem. Frei Massimo e Frei César não vieram para impor, mas para escutar, discernir e caminhar junto.

O encontro terminou com a sensação de que a Província Santa Cruz, apesar de suas fragilidades, possui um Definitório disposto a se deixar interpelar pelo Evangelho e pelo carisma. “O Ministro Geral e o Definidor Geral destacaram a importância de se preservar que a missão do Definitório Provincial é a de ser uma fraternidade animadora da vida provincial”.

Após a reunião, estava previsto um momento cultural em Belo Horizonte, dento da máxima “da missa para a mesa, e da mesa para o diálogo – e do diálogo para a festa” (grifo nosso) – que incluíra um tour pelo conjunto arquitetônico da Lagoa da Pampulha.

Para pensar:

1 – O Definitório Provincial deve ser “uma fraternidade que anima a vida provincial”. O que significa, concretamente, “animar” em vez de apenas “administrar” ou “governar”?
Como o gesto de “curvar-se diante do irmão” – que é o próprio Cristo no outro – pode transformar a maneira como os definidores exercem sua autoridade, especialmente diante das fragilidades e desafios apresentados?

2 – Em uma Província, como as demais do mundo, que enfrenta diminuição vocacional e desafios financeiros, como conciliar a pobreza evangélica (que pede desapego e confiança na Providência) com a administração responsável dos bens e a sustentabilidade das obras? \
O que significa “ser franciscano” na gestão do patrimônio, evitando tanto o desperdício quanto a lógica meramente capitalista de eficiência a qualquer custo?

3 – Acolher o outro significa criar condições de escuta e diálogo, mas também acolher a própria limitação de não conseguir chegar a todos. Como a Província pode melhorar sua comunicação interna e externa sem cair na ansiedade de “produzir conteúdo” ou na paralisia diante da complexidade?
De que modo a comunicação pode se tornar um verdadeiro ministério de fraternidade, e não apenas um fluxo de informações?


[1] Frei Laércio Jorge, OFM. Graduado em Filosofia e Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino. Mestre em Ciências Sociais pela PUC-MG.

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