RFM Minas, Rede de Apoio ao Migrante e JPIC provincial promove atividade na Semana Nacional do Migrante

RFM Minas, Rede de Apoio ao Migrante e JPIC provincial promove atividade na Semana Nacional do Migrante

Roda de conversa debate crise migratória global e destaca experiências de acolhimento em Betim

Evane de Oliveira Medeiros

A Rede Franciscana para Migrantes de Minas (RFM), em parceria com a Educafro Minas e as Irmãs Carmelitas, realizou na última segunda-feira (15), no Convento Santa Cruz, uma roda de conversa sobre o contexto da migração no Brasil e no mundo. O encontro contou com a participação de membros da Ordem Franciscana Secular (OFS), Carmelo Leigo, Alunos da Rede EDUCAFRO e contribuições valiosas do professor dr. Durval Magalhães, Doutorado em Demografia e experiência na área de Demografia, com ênfase em Mortalidade e Migração Internacional, sob a mediação do Frei Dildarlyson Evangelista, OFM, e da Irmã Carmelita Missionaria Lady Ávila.

A ação dialógica evidenciou desafios da migração de crise em nível global e seus impactos. Enquanto se agravam questões e conflitos de ordem política, religiosa, climática (por intervenções humanas) e guerras, os países se perguntam como lidar com o contingente crescente de migrantes que buscam ser abrigados em algum outro lugar do mundo em que se sintam seguros e com condições humanas de sobrevivência dignas para si e suas respectivas famílias.

Participaram da roda imigrantes venezuelanos residentes no bairro Bandeirinha em Betim, assistidos pelas Irmãs Carmelitas e a RFM. Os depoimentos emocionaram os presentes, evidenciando que, embora o Brasil ainda não tenha políticas públicas estruturadas para esse público, conforme suas necessidades específicas, em Betim, eles têm conseguido acessar direitos nas áreas de saúde, educação e assistência social. “Sou muito grato a este país, porque me fizeram cirurgia de catarata, vários exames de saúde e estou tratando os dentes agora. Também me deram aposentadoria”, relatou Omar Baez, 71 anos”, residente no Brasil há cerca de quatro anos.

Entre inúmeras reflexões que esse evento provocou, destaca-se que o contexto de crise mundial nos faz visitar o mito de Sísifo. As fronteiras territoriais estão sendo “subversivamente” rompidas, apesar da resistência à convivência multi e intercultural por grande parte dos governantes e de povos no mundo todo. Assim, os atores sociais implicados nesse fenômeno social quais sejam instituições religiosas, não governamentais e membros da academia em articulação com governos locais e internacionais vêm somando esforços diários que mimetizam o esforço de Sísifo: sobrepor  enormes pedras, como a xenofobia e a indiferença à crise.

Esse mesmo contexto nos evoca outro cenário mitológico: o do Minotauro. O processo de territorialização excludente no mundo criou um labirinto social insustentável que, agora, dá sinais de implosão. As reservas morais ainda latentes naqueles atores sociais espalhados por toda parte emergem e se manifestam em ações de acolhimento, resistência e esperança. Elas constituem o verdadeiro fio de Ariadne para aqueles que, expulsos de um dos compartimentos do labirinto global, veem-se perdidos em busca de uma saída e de sua própria humanidade.

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