Cristo vive em cada rosto jovem

Cristo vive em cada rosto jovem

Inspirados pelo Papa Francisco e por São Francisco de Assis, os jovens são convidados a deixar a posição de espectadores para encarnar o Evangelho no cotidiano e transformar a sociedade.

Pedro Henrique de Jesus Assis
Postulantado Franciscano da Cruz de São Damião
13 de agosto de 2026 – Memória de Santa Dulce dos Pobres

“Cristo Vive: é Ele nossa esperança” (Christus vivit, 2019). Inicio este texto em comemoração ao Dia Internacional da Juventude recordando o amado Papa Francisco, que, durante seu pontificado, tratou com tamanho cuidado a inserção dos jovens na vida da Igreja. No documento conclusivo da III Conferência Geral do CELAM, realizada em Puebla, no México, a Igreja Latino-americana destaca a opção preferencial pelos jovens, ao “apresentar [a eles] o Cristo Vivo, como único Salvador, para que, evangelizados, evangelizem e contribuam […]” (Documento de Puebla, 1979, cap. 2). Desde o Concílio Vaticano II, a presença dos jovens na vida e dinamização das Comunidades de Base tem sido sempre incentivada para que haja uma constante renovação da própria igreja, sendo, a partir do trabalho pastoral das juventudes, fundada na espiritualidade apostólica da missão e anúncio do Evangelho.

As juventudes, por não serem um grupo homogêneo, têm a capacidade de confrontar e questionar realidades do mundo de hoje, como São Francisco que interpelado pelo convite: “Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída” (2Cel 10, 4) que no primeiro momento ele interpreta que deveria reformar o edifício da capela, mas, após determinado tempo reage às incoerências da sociedade em que vivia. Hoje, nós, jovens, somos chamados a dar testemunho ao mundo, que precisa experienciar o sabor do Evangelho de Jesus Cristo a partir de nossas vidas.

Ser discípulo missionário no contexto atual exige de nós, jovens, a coragem de cruzar as fronteiras da comodidade para ir ao encontro daquelas realidades que clamam por esperança. Assumir essa missão não significa apenas ocupar espaços na estrutura eclesial, mas encarnar o Evangelho no cotidiano — nas redes sociais, nas escolas, nas universidades, nas periferias e nos ambientes de trabalho. Como nos lembra o Papa Francisco, a juventude não é o “futuro” da Igreja, mas o seu “agora” (Homilia de encerramento da JMJ 2019). É no presente, no dia a dia, que nossa fé precisa traduzir-se em gestos concretos de acolhida, solidariedade e transformação social, tornando o amor de Deus uma experiência viva e palpável para os que estão ao nosso redor.

Essa missão se fortalece quando compreendemos que o dinamismo jovem traz um frescor indispensável à evangelização. O entusiasmo, a criatividade e a capacidade de sonhar da juventude são ferramentas poderosas para superar estruturas rígidas e anunciar a boa-nova com uma linguagem atual, autêntica e conectada às dores e alegrias do nosso tempo. Ao nos colocarmos a caminho, aprendemos que ser discípulo-missionário não é ter todas as respostas, mas caminhar com Cristo e testemunhar, pela própria vida, o impacto transformador do seu amor. Cada jovem que responde com generosidade ao chamado de Jesus torna-se um farol de esperança em meio às incertezas que o mundo moderno nos proporciona. Por isso, o convite que ressoa para o Dia Internacional da Juventude é para que não tenhamos medo de ser a força viva da Igreja. É hora de levantar a voz, de estender a mão e renovar o compromisso de sermos verdadeiramente missionários e uma igreja em saída. Inspirados pela ousadia de São Francisco de Assis e impulsionados pelo Espírito Santo, somos provocados a deixar nossa marca na história, não como meros espectadores, mas como protagonistas de um novo tempo. Que o nosso “sim” transborde em ações e que nossa vida seja o primeiro e mais bonito anúncio de que Cristo vive e é nossa esperança.

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