Paróquia de Jequitinhonha celebra 90 Anos da Primeira Missa em sua Igreja Matriz 

Paróquia de Jequitinhonha celebra 90 Anos da Primeira Missa em sua Igreja Matriz 

Construída pela generosidade da comunidade e pelas mãos de apenas dois pedreiros, a Matriz de Jequitinhonha celebra 90 anos de sua primeira Eucaristia.

Entre os dias 16 e 19 de julho, a comunidade de Jequitinhonha/MG esteve em festa para comemorar um marco histórico: os 90 anos da primeira missa celebrada na Igreja Matriz São Miguel e Almas. As festividades tiveram início exatamente no dia 16 de julho, data do aniversário, com a abertura do Tríduo Solene que, ao longo de três dias, preparou o coração dos fiéis para o grande momento de ação de graças. 

O ápice das comemorações ocorreu no domingo, 19 de julho, com a solene Missa Festiva realizada às 19h. A celebração eucarística foi presidida por Frei Eron Cerrato, OFM, e concelebrada por Frei João Bosco, OFM, reunindo a comunidade local em um momento de profunda fé, devoção e gratidão pelo legado franciscano na região. 

Após a Santa Missa, a confraternização continuou na área externa com uma animada festa social. Os paroquianos, amigos e visitantes puderam aproveitar as tradicionais barraquinhas com comidas típicas e muita música ao vivo, celebrando a alegria do encontro e a vitalidade de uma comunidade que se mantém firme na fé há quase um século. 

A construção da Matriz 

A história da grandiosa Igreja Matriz de Jequitinhonha foi registrada em detalhes ao longo de diferentes publicações da Província, que narram desde os primeiros passos até a arquitetura final da obra: 

A trajetória do novo templo começou a ser desenhada na década de 1920, após os frades menores se estabelecerem definitivamente na cidade em 1922 e encontrarem a velha matriz e a residência paroquial em condições precárias. O impulso inicial para a obra ocorreu em 1925, quando a Câmara Municipal concedeu uma extensa área na praça “Arthur Bernardes” para a edificação. O formato definitivo surgiu quando o vigário local voltou de férias da Holanda, em junho de 1927, trazendo na bagagem a planta de uma matriz mais moderna. Os trabalhos no canteiro de obras foram iniciados oficialmente no dia 11 de abril de 1928. [1] 

Simbolismos e desafios da construção 

O projeto arquitetônico foi pensado com um profundo simbolismo religioso, no qual a cúpula central representa Jesus Cristo e os quatro cantos de apoio à cúpula representam os quatro Evangelistas. A execução da obra começou no dia 11 de abril de 1928, durou cerca de dez anos e exigiu enormes sacrifícios, a começar pela perfuração das covas na rocha viva, o que demandou o uso de dinamites todos os dias. A logística também era complexa, exigindo o transporte de materiais por meio de lombo de burro, carros de boi e canoas, enquanto a madeira era retirada das matas da região e serra no local. Surpreendentemente, a execução pesada da obra foi levada a cabo basicamente por apenas dois pedreiros e um carpinteiro com seu ajudante. [2] 

Estrutura e estilo arquitetônico 

A estrutura do templo foi erguida no formato de uma cruz grega, com alicerces que chegaram a seis metros de profundidade para garantir a firmeza do edifício na rocha. A igreja consolidou-se em um marcante estilo holandês, caracterizado principalmente por estar coberta com ardósias de amianto vermelhas trazidas do Rio de Janeiro, com telhas cor-de-cinza sobre a capela-mor. As paredes sustentam uma altura de 15 metros e meio, enquanto a cúpula se eleva de forma imponente a 28 metros acima do chão. A obra foi fortemente abraçada pelo povo da paróquia, cujas doações generosas garantiram que nunca faltassem recursos. [3] 

[1] Revista Santa Cruz 1936, p. 83-84 

[2] Revista Santa Cruz 1962, p. 38-40 

[3] Revista Santa Cruz 1936, p. 74-76 

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