Arte urbana e contemplação

Arte urbana e contemplação

Muro de mosteiro em Belo Horizonte ganha pintura especial pelo Ano Jubilar Franciscano

A obra retrata São Francisco, Santa Clara e referências à paisagem mineira e busca aproximar a espiritualidade franciscana de quem circula pela capital.

O muro do Mosteiro Santa Clara em Belo Horizonte (MG) ganhou uma nova composição artística como parte das celebrações do Ano Jubilar Franciscano. A fachada externa do complexo religioso foi transformada em um painel de arte urbana que retrata elementos da espiritualidade franciscana, da vida contemplativa e da relação com a criação. A obra foi idealizada e executada pelos artistas gráficos Levi do Nascimento Ribeiro Júnior e Carolina Borges. 

A iniciativa surgiu do desejo da comunidade religiosa de expressar, também no espaço externo, aspectos da experiência vivida no interior do mosteiro. A realização do projeto contou com o apoio da comunidade local, que já havia promovido uma campanha para a pintura da fachada da capela e, recentemente, contribuiu também para a instalação de um novo toldo no espaço. Com o engajamento dos benfeitores e colaboradores, a comunidade decidiu ampliar a ação para o muro do complexo. Os trabalhos começaram em 12 de agosto e foram concluídos em 7 de setembro. 

Entre a cidade e a natureza 

A pintura foi concebida a partir de dois cenários que estabelecem um diálogo entre si: a cidade e a natureza. 

Na representação de Belo Horizonte, Santa Clara aparece abençoando a capital mineira. A composição reúne elementos conhecidos da paisagem urbana, como a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, o conjunto arquitetônico e a lagoa, além de edificações ao fundo. Também está presente uma representação da Catedral Metropolitana Cristo Rei. Nas mãos de Santa Clara, uma cesta de pães remete à partilha, à doação e ao cuidado com o próximo. 

No segundo ambiente, dedicado à natureza, São Francisco de Assis aparece abençoando a criação. O painel também estabelece uma relação com Minas Gerais ao representar o Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais e da Arquidiocese de Belo Horizonte. A composição é complementada por elementos da fauna e da flora características do território mineiro. 

Uma ponte entre o mosteiro e a cidade 

Para as religiosas que vivem no mosteiro, a pintura também representa uma forma de levar a espiritualidade contemplativa para além dos limites da clausura. Madre Maria Karolyne explica que a iniciativa já fazia parte dos desejos da comunidade. 

“Já era um desejo nosso pintar o muro como expressão da nossa espiritualidade, da nossa vida contemplativa e como filhas de Francisco e Clara. Nós pensamos em expressar no muro do mosteiro aquilo que acontece do lado de dentro”, relata. 

Além dos elementos simbólicos, a pintura utiliza recursos de perspectiva que criam uma sensação de profundidade e integração entre a calçada e o painel. A composição foi organizada em três planos, produzindo uma espécie de ilusão de ótica para quem observa a obra a partir da rua. 

Segundo a Madre, a intervenção foi pensada principalmente para as pessoas que circulam pelo entorno do mosteiro. 

“Acredito que é muito mais para as pessoas de fora do que para nós, porque vivemos na clausura dentro do mosteiro. As pessoas que passam na calçada e na rua é que estão sendo mais beneficiadas. É o nosso desejo que as pessoas, ao olharem a arte, possam ser ajudadas a rezar e levar também ao coração a espiritualidade franciscana”, afirma. 

Ao final, a religiosa agradeceu aos benfeitores, colaboradores e membros da comunidade que contribuíram para a realização do projeto. 

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