9º Encontro Nacional da Pascom

9º Encontro Nacional da Pascom

O evento refletiu sobre evangelização, Inteligência Artificial, redes sociais, crise climática e a missão da comunicação na Igreja.

Aparecida (SP) – Entre os dias 24 e 26 de julho, aconteceu o 9º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (9º ENP), no Santuário Nacional de Aparecida, reunindo bispos, padres, religiosos e leigos representantes das diversas regiões do país. O encontro marcou um importante momento de espiritualidade, comunhão, formação e discernimento para fortalecer a missão da comunicação na Igreja.

O evento reuniu o maior número de participantes da história da Assembleia Nacional da Pascom, com a presença expressiva de agentes pastorais. A Província Santa Cruz esteve representada por Frei Jhonatan de Jesus Luiz, OFM e Sarah Luisa Otoni Vieira Santiago, representando o Secretariado de Missão e Evangelização; Frei Renieveton Telles de Oliveira, OFM e Márcia Gomes Mafia Mendes, representando a Equipe de Comunicação da Província Santa Cruz.

Logo após a solenidade de abertura, foi realizada a conferência do prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, Paolo Ruffini, que refletiu sobre o tema do encontro: “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”.

Ruffini ressaltou que o comunicador é chamado a ser um discípulo missionário, colocando a comunicação a serviço do amor, da dignidade humana e da construção de relações autênticas. Também alertou para os desafios do ambiente digital, como a desinformação, a polarização e o uso inadequado da Inteligência Artificial, reforçando a necessidade de formação, responsabilidade e discernimento no uso das tecnologias.

Ao abordar a IA, o prefeito afirmou que é preciso distinguir a comunicação humana da comunicação das máquinas, colocando sempre a pessoa no centro. Segundo ele, a tecnologia deve servir ao bem comum, favorecer o diálogo, o encontro e a construção da paz, e nunca substituir as relações humanas.

Durante a conferência, Ruffini também enfatizou que a comunicação da Igreja não pode ser guiada pela lógica do marketing. “Jamais podemos transformar o Evangelho em um produto, a Igreja em uma empresa, os fiéis em clientes ou Jesus em uma marca”, afirmou, lembrando que a missão da comunicação cristã é anunciar o Evangelho como proposta de encontro e serviço.

Ao concluir sua reflexão, reforçou o papel da Pascom na construção da comunhão e resumiu sua mensagem com uma frase que marcou o encontro: “Esta é a beleza da Pascom: trazer as pessoas de volta a se encontrarem.”

Ruffini deixou um convite que ecoa no coração de cada comunicador: “Que a rede digital seja um instrumento de comunhão e evangelização, nunca um campo de vaidade, de números ou de exaltação do ego. A rede que sonhamos não aprisiona: ela é tecida pela união, pelo encontro, pelos rostos, pelos corpos e pelo amor que nos conecta como irmãos.”

A segunda conferência do 9º Encontro Nacional da Pascom foi marcada ainda por um diálogo entre os três bispos que integram a Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB: Dom Valdir José de Castro, Dom Edilson Soares Nobre e Dom Amilton Manoel da Silva.

Os bispos conduziram os participantes a uma profunda reflexão sobre os desafios e as perspectivas da comunicação evangelizadora. Ao longo do diálogo, reforçaram a missão da Pascom de anunciar o Evangelho com esperança, proximidade e compromisso, colocando a comunicação a serviço da Igreja e da sociedade contemporânea.

Segundo dia

O padre Josileudo Queiroz, da Arquidiocese de Fortaleza (CE), abriu o circuito de conferências do segundo dia do Encontro com o tema: “Presença cristã nas redes: postar para engajar ou evangelizar?”

Inspirado no magistério do Papa Francisco, padre Josileudo destacou que a comunicação exige escuta, cuidado com o próximo e o reconhecimento das pessoas como sujeitos da evangelização. Ressaltou ainda que o clero é chamado a ser exemplo no uso responsável dos meios de comunicação, pois sua missão primeira é comunicar o Evangelho.

Ao refletir sobre a missão da Pascom, afirmou que os comunicadores atuam em comunhão com a Igreja e, embora cada pessoa tenha sua própria vocação, todos compartilham a mesma dignidade humana e a missão de anunciar Cristo. “Essencialmente, somos humanos antes de sermos cristãos, e não podemos ser cristãos sem assumir a humanidade como missão”, afirmou.

Ao tratar do apostolado da comunicação, reforçou que comunicar é anunciar a verdade em comunhão com a Igreja. Citando o Código de Direito Canônico, lembrou que os fiéis têm o direito e o dever de anunciar o Evangelho em sintonia com o Magistério. Nesse contexto, alertou que os agentes da Pascom não devem colocar opiniões pessoais acima da mensagem de Cristo, mas comunicar com fidelidade o Evangelho e os ensinamentos da Igreja.

Encerrando a conferência, retomou a pergunta “Postar para engajar ou evangelizar?” e, inspirado em um ensinamento do Papa Bento XVI, afirmou que a Igreja deve estar presente também no ambiente digital para evangelizar com fidelidade. Ao final, anunciou o lançamento de seu livro Ser de Deus é muito é massa e concluiu sua participação adaptando o título da obra à missão dos agentes da comunicação: “Ser Pascom é muito é massa!”

Dando continuidade à programação do segundo dia do encontro, outro tema abordado foi “Igreja, comunicação da crise climática e esperança ativa: a Pascom como amálgama”, ministrado pela jornalista, educadora e empresária Heloísa Fischer. Em sua reflexão, a palestrante destacou a urgência de colocar a crise climática no centro da missão da Igreja, defendendo uma mobilização pautada pelo amor, pela clareza e pela esperança.

Segundo a palestrante, a Pascom tem a missão de fortalecer a consciência crítica sobre as mídias e comunicar a emergência climática à luz da espiritualidade cristã. Ao apresentar o conceito de “amálgama”, explicou que ele propõe integrar espiritualidade, comunicação e ação climática, levando esse debate às comunidades e contribuindo com a perspectiva cristã nas discussões ambientais.

Heloísa também alertou para o risco de normalizar os impactos da degradação ambiental e afirmou que a crise climática está ligada a uma crise de valores, como o egoísmo, a ganância e a apatia. Para ela, além da ciência, é necessária uma transformação cultural e espiritual, na qual a Igreja tem papel fundamental por comunicar o Evangelho e promover o cuidado com a Casa Comum.

Na parte final, Heloísa abordou os princípios da Linguagem Simples, ressaltando que comunicar com clareza significa organizar as informações de forma acessível e centrada nas necessidades do público. Ao concluir, reforçou que a Pascom exerce um papel estratégico na promoção da consciência, da esperança e do compromisso diante da crise climática, utilizando uma comunicação clara, empática e inspirada pelo Evangelho.

No período da tarde, foram realizadas oficinas temáticas, abordando diversas realidades e proporcionando momentos de formação e partilha aos participantes do encontro.

O segundo dia do Encontro Nacional foi concluído com a Santa Missa, no Santuário Nacional, transmitida pela Rede Aparecida de Televisão, presidida por Dom Amilton Manoel da Silva, C.P., passionista, bispo de Guarapuava e vice-presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB.

Terceiro dia

No domingo, 26, último dia do encontro, a programação teve início com a Celebração Eucarística no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, presidida por Dom Valdir José de Castro e concelebrada por diversos bispos e padres.

A última conferência do evento foi ministrada por Marcello Zanluchi, jornalista e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com o tema “Além do like: a gestualidade do encontro na dimensão pastoral”.

O conferencista destacou que, em um mundo cada vez mais conectado, a humanidade vive uma profunda crise de relacionamento. Diante disso, ressaltou que, embora a tecnologia tenha multiplicado os contatos, é o encontro que transforma vidas.

Na Igreja, comunicar é enxergar o outro, destacou Zanluchi. É perceber quem chega, acolher quem muitas vezes passa despercebido e construir pontes que aproximam cada pessoa de Cristo e da comunidade. Dessa forma, a comunicação nunca deve se limitar aos algoritmos, mas deve ser presença, acolhida e experiência de fé.

Após um momento de diálogo aberto com a coordenação nacional da Pascom, o encontro foi concluído com o envio missionário e o encerramento oficial.

Em atendimento ao princípio da transparência contido no artigo 6º, inciso VI da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD, e reforçando o nosso compromisso com a privacidade e a proteção de seus dados pessoais, informamos que caso você, titular, se oponha ao tratamento de sua imagem veiculada em nosso site, você poderá entrar em contato através do e-mail [email protected]

Leia outras notícias