Evento em Aparecida (SP) reúne lideranças para debater o acolhimento dos jovens e propõe a transição dos eventos pontuais para uma cultura permanente de escuta e discernimento.
Frei Wálacy Ricardo Ferreira da Silva, OFM
Entre os dias 4 e 6 de setembro, a Igreja no Brasil esteve reunida em Aparecida (SP) para a realização do 5º Congresso Vocacional do Brasil, um momento marcado pela oração, escuta, reflexão, partilha e renovação do compromisso com a promoção das vocações.
Ao longo dos dias, os participantes vivenciaram uma experiência de encontro e comunhão, refletindo sobre os desafios e as possibilidades da Animação Vocacional diante das realidades atuais, especialmente no acompanhamento de adolescentes e jovens que buscam compreender o chamado de Deus para suas vidas.
Mais do que um espaço de formação, o Congresso foi uma oportunidade para escutar as diferentes experiências da Igreja e discernir novos caminhos para o Serviço de Animação Vocacional (SAV). As reflexões ressaltaram que a vocação não deve ser compreendida como responsabilidade de um grupo específico, mas como uma dimensão própria de toda a comunidade religiosa e eclesial.
Um dos aspectos centrais vivenciados durante o encontro foi a necessidade de construir uma cultura vocacional baseada no acolhimento, na escuta e no acompanhamento. O jovem que se aproxima da Igreja precisa encontrar comunidades capazes de acolhê-lo em sua história, em suas dúvidas, sonhos e inquietações, oferecendo espaços seguros para que possa fazer seu próprio caminho de discernimento.
Nesse sentido, o SAV é chamado a ir além da realização de encontros e eventos vocacionais. Sua missão envolve acompanhar processos, favorecer o discernimento e caminhar ao lado daqueles que procuram descobrir sua vocação e sua missão no mundo e na Igreja.
A experiência do Congresso também reforçou a compreensão de que toda vida é vocação: toda pessoa é chamada, e todo chamado conduz à missão. Assim, cada ação evangelizadora carrega consigo uma dimensão vocacional e missionária.
Outro ponto destacado foi a importância da comunidade. A resposta vocacional é pessoal e livre, mas não acontece de maneira isolada. É na comunidade que a fé é alimentada pela Palavra, pelos sacramentos e pela convivência fraterna. Por isso, as comunidades cristãs são convidadas a se tornarem ambientes cada vez mais alegres, fraternos, acolhedores e hospitaleiros, nos quais crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos possam encontrar espaço para serem escutados e acompanhados.
Ao olhar para Maria, Mãe das Vocações, os participantes encontraram também uma inspiração para viver a própria missão com simplicidade, disponibilidade e coragem. Seu “sim” continua sendo um testemunho de que toda vocação nasce de uma resposta de amor a Deus e se concretiza no serviço.
O 5º Congresso Vocacional do Brasil deixa, assim, um convite para toda a Igreja: renovar a maneira de acompanhar aqueles que buscam discernir seu chamado, passando de uma pastoral vocacional centrada apenas em eventos para uma verdadeira cultura de acompanhamento, discernimento e cuidado.
Depois desses dias de oração, escuta e partilha, permanece a certeza de que não há vocação sem Igreja, sem comunidade e sem missão. E que acompanhar uma vocação é, antes de tudo, ajudar uma pessoa a descobrir que sua vida tem sentido, que é chamada por Deus e que possui um lugar na construção do Reino.












