Celebrar São Benedito hoje é celebrar a vitória de tantos homens e mulheres sofridos, que resistem e fazem de seu sofrimento uma suave e agradável oferenda ao Senhor.
Frei Sidinei Braz, OFM
São Benedito, conhecido como “o Negro”, nasceu na Sicília. De pais vindos da Etiópia para San Fratello, na Sicília, vendeu seus bens e fez-se eremita franciscano nas vizinhanças de Palermo. Mais tarde, atendendo ao decreto de Pio IV, que obrigava os seguidores da Regra de São Francisco a viverem em conventos de sua Ordem, Benedito obedeceu. No convento, dedicou-se a trabalhos humildes. Chegou a exercer o ofício de Guardião, mesmo não sendo presbítero e, mais tarde, retomou seu trabalho na cozinha. Morreu no ano de 1589. Seu culto se espalhou bem cedo por países como Itália, Espanha, Portugal, Brasil e México.
Após esse breve relato que a Liturgia das Horas nos traz, somos convidados a meditar um pouco sobre a influência exercida por São Benedito na cultura popular até os dias de hoje. É comum vermos sua imagem em um pequeno altar nas cozinhas dos lares mais humildes ou até mesmo nas cozinhas de centros pastorais e outros ambientes destinados à preparação de alimentos. Certo dia, ouvi isto de uma amiga e devota: “eu não cozinho sem o meu São Benedito por perto!”. É a mistura entre a tradição popular e a tradição da Igreja.
Existem muitos elementos na vida de Benedito que corroboram com o grande número de adeptos à sua devoção, mas o mais importante, podemos dizer, é seu modo de vida simples. Esse santo superou as diversas dificuldades enfrentadas ao longo de sua história, bem como teve uma íntima vida de oração e meditação, a ponto de, em um profundo momento de oração, receber em seus braços, da própria Virgem, o menino Jesus, por quem mantinha grande afeição e devoção.
Celebrar São Benedito hoje é celebrar a vitória de tantos homens e mulheres sofridos, que resistem e fazem de seu sofrimento uma suave e agradável oferenda ao Senhor. Olhando para o exemplo dele, somos convocados a não ficar estáticos diante das dificuldades geradas pela raça, escolaridade ou condição social. Pelo contrário, somos chamados a dar o melhor de nós, seja na vida contemplativa, seja na vida ativa. Seja entre as panelas ou nos gabinetes, nos roçados ou nos escritórios, teremos sempre um modelo a ser imitado.
São Benedito, ensina-nos a servir sem buscar aplausos, a rezar sem desanimar e a reconhecer a presença de Cristo nas tarefas mais simples do nosso dia. Que tua humildade transforme nosso orgulho e tua confiança em Deus fortaleça nossa esperança. Amém
Fonte: Boletim Informativo Amigos de São Francisco
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