A presença franciscana no Brasil

A presença franciscana no Brasil

Uma iniciativa dedicada a resgatar e divulgar a trajetória dos Franciscanos, da Ordem dos Frades Menores em Minas Gerais.

Rafael Mattos[1] e Pedro Guimarães[2]

O Franciscanismo no Brasil existe desde a conquista pelos portugueses, na primeira metade do século XVI, inicialmente com franciscanos avulsos, responsáveis por expedições missionárias no Brasil, com destaque para a região da Bahia, onde foram formados os primeiros protomártires[3], na cidade de Porto Seguro.

O primeiro contato da Igreja no Brasil com os com os indígenas Tupiniquim ocorreu durante uma missa celebrada por Frei Henrique de Coimbra, pertencente à Ordem dos Frades Menores, no Domingo de Páscoa, em 26 de abril de 1500, na Coroa Vermelha, município de Santa Cruz Cabrália. Na ocasião, os indígenas observaram com curiosidade os rituais e os cantos religiosos, enquanto os portugueses interpretaram sua participação como um sinal de aproximação com a fé cristã.

Em 1584, por mediação do rei Filipe II da Espanha, o então Ministro geral Francisco Gonzaga instituiu, em Olinda (Capitania de Pernambuco), no dia 13 de março de 1584, a Custódia de Santo Antônio do Brasil, dependente da Província de Santo Antônio de Portugal. As custódias eram pequenos conventos submetidos a um governo central maior, denominado Província, responsável por supervisioná-las e garantir sua permanência.

A partir da primeira Custódia, outros conventos foram fundados em diferentes regiões do Brasil. Inicialmente, todos permaneciam dependentes da Província de Portugal. Em 1647, foi autorizada a independência das custódias brasileiras e, em 1657, ocorreu sua elevação à Província de Santo Antônio, responsável pela administração das custódias no Brasil. Nesse processo, destacou-se, posteriormente, a criação da Província da Imaculada Conceição.

Do final do século XVIII até a Proclamação da República, houve proibições progressivas ao ingresso de noviços na província, o que ocasionou seu enfraquecimento e sua diminuição, até que, em 1886, ela foi entregue aos bispos por decreto da Santa Sé. Com a Proclamação da República, findaram as proibições de cunho monástico, possibilitando a restauração das províncias.

Em 1889, o ministro-geral confiou à Província da Saxônia da Santa Cruz a chamada “missão brasileira”. Os primeiros franciscanos dessa província chegaram ao Brasil em 1892 e seguiram para a Bahia, onde foram recebidos de braços abertos pelo provincial da antiga Província de Santo Antônio, que os incorporou à sua província. Em 1899, formaram-se dois comissariados: o do Norte (Bahia) e o do Sul (Rio).


[1] Arquivista da Província Santa Cruz, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua na conservação preventiva, organização e gestão do Arquivo Histórico e Permanente da Província, contribuindo para a preservação e acesso ao patrimônio documental e à memória institucional. Pós-graduado em Conservação Preventiva de Bens Culturais Móveis Eclesiásticos e em Arquivo: Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural. 

[2] Auxiliar de Arquivo, cursa Arquivologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua, auxiliando na organização, conservação preventiva e gestão do Arquivo Corrente, Intermediário e Permanente da Província Santa Cruz.

[3] Primeiros cristãos a testemunhar, em uma região, a fé de forma radical ou violenta.

Leia outras notícias