Fórum Educafro Minas 2026 reúne representantes de 13 núcleos em Carangola para fortalecer a Educação Popular

Fórum Educafro Minas 2026 reúne representantes de 13 núcleos em Carangola para fortalecer a Educação Popular

O Fórum Educafro Minas 2026 reafirmou a importância de preservar as histórias que constituem a Rede Educafro Minas

Feliciano José Kissua
Rodrigo de Abreu Ribeiro

O Centro Franciscano de Defesa dos Direitos, por meio da EDUCAFRO MINAS, promoveu entre 30 de outubro e 1º de novembro o Fórum ‘Memórias e Práticas: Presença Ativa na Educação Popular’, em Carangola-MG. Com a presença marcante de Frei David Raimundo dos Santos — fundador e diretor da Educafro Brasil — e representantes dos 13 núcleos da nossa Rede em Minas Gerais.

Realizamos um encontro inesquecível. Celebramos nossa memória e história, debatemos os caminhos da educação popular e da cidadania, e unimos forças para construir propostas coletivas e perspectivas para da atuação da Rede em Minas Gerais.

As atividades educativas ocorreram na UEMG Carangola e os participantes (coordenadores de núcleos, educadores e educandos) ficaram hospedados na Paróquia Santa Luzia. Ao longo dos três dias, foram realizadas rodas de conversa, palestras e debates sobre temas fundamentais para a luta por uma educação democrática, antirracista e emancipadora. Entre os assuntos abordados, destacaram-se o racismo ambiental, os desafios da Educação Popular e a elaboração de propostas e ações para orientar a atuação da Educafro Minas em 2027.

A programação iniciou-se na sexta-feira com a recepção dos participantes. Na sequência, ocorreu a solenidade de abertura oficial com a presença dos Freis Ademilson Salvino dos Santos, Carlos Alexandre da Silva Lima e do reitor da UEMG Carangola, Prof. Dr. Custódio Jovêncio Barbosa Filho. Foi um primeiro momento de reencontro, integração e preparação para os debates e as atividades dos dias seguintes. No sábado, a programação começou com uma palestra on-line sobre Louzada, mestre da cultura popular, liderança religiosa e comunitária e defensor da cultura afro-brasileira. A atividade proporcionou reflexões sobre a importância da preservação da cultura, da ancestralidade e dos saberes populares. Após uma pausa, a programação foi retomada com uma homenagem a Celeste Estrela – poeta, atriz, compositora e rapper, cuja trajetória é marcada pela resistência e pela valorização da cultura afro-brasileira. Por meio da arte e da poesia, transforma suas vivências em expressão de luta contra o racismo, as desigualdades sociais e a invisibilidade das mulheres negras. Sua história representa memória, ancestralidade, resistência e a força da cultura negra e periférica. A homenagem se iniciou com a exibição do documentário “Atrás não é mais o meu lugar”, que apresenta sua trajetória de vida e caminhada de luta. A atividade foi mediada por Frei Carlos Alexandre da Silva Lima e constituiu um momento de reconhecimento de sua história e de sua contribuição para a Educação Popular e para a Rede Educafro Minas. Um dos momentos marcantes da homenagem foi a entrega dos estandartes confeccionados por Frei Donizete Afonso da Silva, simbolizando a valorização e o respeito à trajetória de Celeste Estrela e ao legado do núcleo que homenageia o seu nome.

Na sequência, a roda de conversa “Memórias Educafro Minas: Saberes e Resistências” com a participação de Frei David, Celeste Estrela, Prof. Rodney. Esse momento abriu espaço para o compartilhamento de experiências, trajetórias e reflexões sobre a história da Educafro Minas. O diálogo permitiu resgatar memórias coletivas, reconhecer pessoas que contribuíram para a construção da Rede e refletir sobre os caminhos percorridos pela Educação Popular em Minas Gerais.

Ainda no sábado, a roda de conversa “Nossas Vozes, Nossos Saberes: Mulheres Negras na Educação Popular e na Construção da Cidadania” trouxe para o centro do debate a contribuição histórica e política das mulheres negras na construção da Educação Popular e na luta por direitos e cidadania. Mediada por Vitória Hemanuelly, a atividade contou com a participação de Joane Bastos, coordenadora do Núcleo Celeste Estrela, em Carangola, e Reny Batista, coordenadora do Núcleo Atitude, em Ipatinga. O diálogo destacou experiências, desafios e saberes construídos pelas mulheres negras em seus territórios e espaços de atuação.

O sábado também foi marcado pela atividade de Cartografia da Memória, conduzida por Thiago de Assis Felisberto. Por meio de desenhos e representações, os participantes foram convidados a revisitar suas memórias, experiências e vivências, construindo coletivamente um registro visual das histórias que atravessam suas trajetórias.

No domingo, o tema do racismo ambiental esteve em pauta em uma roda de conversa com Raquel Sales e Jéssica, do Núcleo Atitude (Ipatinga). O encontro debateu como populações negras e periféricas sofrem mais intensamente com a falta de saneamento, áreas de risco e a poluição. O debate ressaltou a situação do Vale do Rio Doce, onde as tragédias e crimes ambientais decorrentes da mineração e a poluição dos rios escancaram a assimetria sobre quem paga o preço do impacto ambiental. Uma reflexão fundamental para fortalecer a luta por justiça ambiental e antirracista na nossa Rede.

O último dia também foi dedicado às etapas finais do Fórum, com a apresentação, discussão e avaliação de propostas para a atuação da Educafro Minas em 2027. Os participantes puderam compartilhar ideias, apresentar contribuições e participar das votações e dos encaminhamentos coletivos. Essa etapa foi mediada por Frei Ademilson Salvino dos Santos e representou um importante exercício de participação democrática e construção conjunta dos próximos passos da Rede.

Ao articular memória, ancestralidade, reconhecimento, debate e participação, o Fórum Educafro Minas 2026 reafirmou a importância de preservar as histórias que constituem a Rede Educafro Minas e, ao mesmo tempo, construir caminhos para enfrentar os desafios sociais, raciais e educacionais do presente.

Mais do que um espaço de formação e debate, o Fórum constituiu um momento de reencontro, partilha de experiências, valorização das memórias e fortalecimento dos vínculos entre os núcleos. A construção coletiva de propostas para 2027 reafirmou o compromisso da Educafro Minas com uma Educação Popular crítica, antirracista, democrática e comprometida com a transformação social. O encontro foi concluído com agradecimentos e atividades de despedida, encerrando três dias de convivência, formação, reflexão e fortalecimento dos laços entre os diferentes núcleos.

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