Educadoras da Associação Franciscana participam de imersão pedagógica na Argentina

Educadoras da Associação Franciscana participam de imersão pedagógica na Argentina

A abordagem Reggio Emilia comunga com os valores franciscanos, adaptados à educação infantil

Entre os dias 4 e 9 de outubro, um grupo de educadoras das duas creches ligadas à Associação Franciscana de Educação e Assistência Social (o Centro Educacional São Francisco (CESFRAN) e o Centro Educacional Santa Clara- CESCLAR) participou de uma imersão pedagógica em várias instituições de ensino na Argentina que adotam a abordagem.

Desenvolvida na Itália, na região da Emília-Romanha, no período pós-guerra, essa proposta educacional é reconhecida mundialmente por colocar a criança como protagonista do seu próprio processo de aprendizagem, estimulando a autonomia, o senso crítico e a criatividade. O método apoia-se na pedagogia da escuta e no uso de materiais reutilizáveis e não estruturados como recursos pedagógicos. Além disso, reconhece as chamadas “cem linguagens da criança”, valorizando as múltiplas formas de expressão infantil, como a arte, o movimento, a música e o brincar. Na abordagem, o ambiente escolar atua como um “terceiro educador”, planejado intencionalmente para incentivar a exploração, enquanto os professores atuam como mediadores e pesquisadores do desenvolvimento infantil.

As creches franciscanas adotam essa metodologia há alguns anos. A equipe pedagógica já havia passado por formações específicas on-line e, em 2024, teve a oportunidade de conhecer os locais de origem da abordagem, na Itália. Desta vez, a imersão permitiu vivenciar a aplicação prática do método em um contexto sul-americano concreto, acompanhando a rotina e os projetos pedagógicos em instituições de Buenos Aires e cidades vizinhas.

Segundo Delviene Garcia, coordenadora pedagógica do CESFRAN, a experiência vivenciada em Buenos Aires trouxe reflexões importantes sobre a forma de compreender a infância e o papel da escola:

“A criança precisa ser respeitada em sua maneira de pensar, brincar e aprender. Suas ideias devem ser valorizadas e servir como ponto de partida para novas investigações. O professor tem um papel fundamental nesse processo, pois é por meio da escuta e da observação que consegue compreender os interesses das crianças e dar continuidade às suas descobertas.

Outro ponto importante é a organização dos ambientes. Os materiais precisam estar ao alcance das crianças e oferecer possibilidades reais de exploração. A natureza também deve fazer parte do cotidiano, assim como a participação das famílias na vida escolar. Voltamos dessa experiência com a certeza de que não precisamos copiar o que vimos, mas trazer para a prática aquilo que faz sentido para a nossa realidade, respeitando a identidade do CESFRAN e do CESCLAR e os princípios da educação franciscana. Queremos uma escola onde a criança tenha voz, seja respeitada e participe verdadeiramente da construção do seu conhecimento.”

No último dia da viagem, os frades diretores da Associação Franciscana, Frei Oton Júnior, Frei Vicente Lopes e Frei Vitor Vinícios, uniram-se ao grupo para participar da etapa final do processo formativo ao lado das educadoras.

Leia outras notícias