Início do VI Capítulo dos Frades Menores

Início do VI Capítulo dos Frades Menores

O VI Capítulo dos Frades Menores reuniu em Assis religiosos de todo o mundo com menos de dez anos de profissão solene.

Jovens de todo o mundo se reúnem em Assis sob o sinal da fraternidade

No dia 5 de julho de 2026, no lugar onde São Francisco acolheu os primeiros frades e onde desejava concluir sua jornada terrena, foi inaugurado o VI Capítulo dos Frades Menores com menos de dez anos de Profissão Solene.  

Cento e trinta e cinco frades com menos de dez anos de Profissão Solene, vindos dos cinco continentes, reuniram-se na Porciúncula, juntamente com os frades do Governo Geral, para viver um tempo de escuta, discernimento e fraternidade internacional. Na saudação de abertura, Frei Inácio Ceja, OFM, Vigário Geral, acolheu os participantes, recordando que este Capítulo não é apenas um evento no calendário da Ordem, mas um campo de provas e laboratório da fraternidade.  

À tarde, após retornar da visita fraterna aos irmãos na Ucrânia, Frei Massimo Fusarelli, OFM, Ministro Geral, dirigiu-se aos participantes com a introdução do VI Capítulo dos Frades Menores, situando o encontro no centro do Centenário Franciscano 1226-2026. O primeiro dia terminou com trabalho em grupo, partilha pessoal da história vocacional de cada um e a noite intercultural, sinais concretos de uma fraternidade que não nasce de ideias abstratas, mas do encontro entre rostos, línguas, memórias e esperanças.  

Vocação à luz da fraternidade 

Na segunda-feira, 6 de julho, os frades foram conduzidos por um itinerário de escuta, discernimento e vivência da memória nos lugares franciscanos.  

A reflexão da manhã, confiada ao Frei Giuseppe Buffon, colocou mais uma vez no centro, no coração da identidade franciscana, partindo das palavras do Evangelho: “Vós sois todos irmãos”. À tarde, os frades partiram rumo a diversos locais franciscanos: a Porciúncula, São Damião e a Ermida dos Cárceres.  

A reflexão, guiada pelo Ministro Geral, Frei Massimo Fusarelli, destacou a lógica da doação. O dia terminou com um jantar em conjunto com a fraternidade de Santa Maria dos Anjos e um momento de convívio.  

Um dia marcado pelo serviço da autoridade, pela evangelização e pela memória franciscana. 

Na terça-feira, 7 de julho, os frades prosseguiram sua jornada em Assis com um dia marcado pela oração, reflexão e contato direto com os lugares que preservam a memória viva de São Francisco.  

A manhã começou com Laudes e lectio divina sobre “O serviço da autoridade na vida franciscana”, conduzida pelo Frei Jakub František Sadílek, OFM. Após um momento de meditação pessoal, a reflexão prosseguiu com o Padre Sergio Massironi, que desenvolveu o tema dos areópagos da evangelização de hoje.  

À tarde, os participantes visitaram diversos locais franciscanos. O encontro começou com uma reflexão do Frei Martín Carbajo, OFM, dedicada à gratuidade, à fraternidade e à economia, inspirada na experiência de São Francisco.  

Da oração ao cuidado fraterno no Capítulo dos Menores de Dez Anos

O dia 8 de julho do 6º Capítulo de Mats Under Ten OFM foi dedicado à oração e ao cuidado integral dos frades. A reflexão começou com a Irmã Teresa Myriam, abadessa das Clarissas Coletinas, que destacou a oração não como uma atividade à parte, mas como o combustível interior que sustenta o trabalho, a conversão e o cuidado com a fraternidade. Em seguida, o Prof. Giuseppe Crea abordou a saúde mental e emocional, encorajando os frades a verem a diversidade de personalidades como uma riqueza e os relacionamentos como espaços de amadurecimento humano e espiritual, onde emoções, limitações e pedidos de ajuda devem ser acolhidos livremente.

Ainda pela manhã, uma mesa-redonda moderada pelo Frei Albert Schmucki debateu o autocuidado, a saúde mental e a proteção de menores e adultos vulneráveis na vida franciscana. O Frei Eduard Iurii Semko enfatizou que um ambiente fraterno que promove o diálogo, acolhe fragilidades e previne o isolamento torna-se uma escola de cuidado capaz de evitar compensações e abusos de poder. À tarde, os participantes peregrinaram aos lugares franciscanos (Porciúncula, São Damião e Cárceras), onde Frei Carlos Salto conduziu uma reflexão sobre a “alternância franciscana”, lembrando que a contemplação (subir a montanha) e a missão (descer ao vale) devem se complementar num diálogo fecundo, essencial para manter o ritmo evangélico.

Mesa-redonda sobre o mundo digital, inteligência artificial e o cuidado com nossa casa comum

O dia 9 de julho iniciou com celebrações eucarísticas por grupos linguísticos e a apresentação do Frei Juan Isidro Aldana Maldonado sobre a preparação do Capítulo Geral de 2027, que ocorrerá no Vietnã, com ênfase sinodal e cultural. O destaque do dia, contudo, foi uma mesa-redonda focada nos desafios da missão contemporânea: o mundo digital, a inteligência artificial (IA) e o cuidado com a casa comum, enfatizando a necessidade de discernir como proclamar o Evangelho de forma fiel ao carisma franciscano nessas novas realidades.

As apresentações sublinharam que o ambiente digital é um verdadeiro espaço de convivência que exige uma “inculturação digital” baseada na escuta e na proximidade. Sobre a inteligência artificial, ressaltou-se a urgência de encarar os desafios éticos e antropológicos que ela traz, formulando critérios baseados na responsabilidade humana. Por fim, as reflexões ambientais focaram no apelo à conversão do coração diante da crise socioambiental, ligando o cuidado com a Terra ao cuidado com os pobres, e defendendo, inclusive, o uso sóbrio da IA devido ao seu impacto energético, em linha com o princípio franciscano de que “menos é mais”.

*conteúdo reproduzido do portal ofm.org 

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