Em comunhão com a natureza, o grupo celebrou os 800 anos do Trânsito de São Francisco com fé e fraternidade.
Entre os dias 18 e 25 de julho aconteceu a 26ª Marcha Franciscana. Inspirada pelo tema “Terra, sopro, comunhão: Rito de Passagem”, a edição deste ano reuniu cerca de 85 caminhantes em uma experiência de encontro com Deus, com a criação e com os irmãos. O percurso atravessou as paisagens do Parque Nacional da Serra da Canastra, onde nasce o Rio São Francisco.
A programação começou com o acolhimento dos peregrinos em São João Batista do Glória. No dia seguinte, os participantes vivenciaram um momento de formação conduzido por Frei Rodrigo, OFM, da Custódia Sagrado Coração de Jesus, preparando o espírito para a caminhada até a primeira queda do Rio São Francisco. Ao longo do trajeto, puderam contemplar a nascente do “Velho Chico” e a imponência da Cachoeira Casca D’Anta, em uma intensa experiência de oração e contato com a natureza.
A travessia contou com o apoio de veículos responsáveis pela cozinha itinerante, pela equipe de Saúde e Bem-estar e pela estrutura necessária às celebrações litúrgicas. Nos acampamentos, as noites foram marcadas pelas Celebrações Eucarísticas.
A origem da Marcha e os 800 anos do Trânsito de São Francisco
A Marcha Franciscana tem suas origens em Assis, na Itália, na década de 1980, quando surgiu a proposta de refazer os últimos passos de São Francisco até a Porciúncula, lugar central de sua missão e onde acolheu a Irmã Morte. Inspirados por essa tradição, Frei Adelmo Francisco Gomes da Silva, OFM, e Frei José Agnaldo Querobino, OFM, trouxeram essa experiência para o Brasil.
Neste ano, a 26ª edição ganhou um significado especial ao celebrar os 800 anos do Trânsito de São Francisco. Mais do que percorrer quilômetros, os participantes foram convidados a viver o despojamento, a minoridade e o amor à criação, valores que permanecem no coração do carisma franciscano.
A vivência dos pilares franciscanos
Mais do que uma caminhada, a Marcha configura-se como um retiro itinerante sustentado por cinco pilares fundamentais.
Simplicidade: O despojamento revela que a verdadeira riqueza está no essencial. Ao longo do caminho, cada peregrino é convidado a valorizar os pequenos gestos, o alimento partilhado, o abrigo recebido e a reconhecer a providência de Deus presente no cotidiano.
Fraternidade: Caminhar juntos aproxima histórias e fortalece laços. O auxílio mútuo, a partilha das refeições, o cuidado com quem enfrenta dificuldades e o acolhimento das comunidades visitadas expressam a fraternidade vivida à luz do Evangelho.
Contemplação: As caminhadas nas primeiras horas do dia, em meio ao silêncio e à beleza da criação, favoreceram a escuta de Deus. A contemplação da aurora renovou, em cada participante, o compromisso com a Casa Comum e com a obra do Criador.
Fé: Cada passo tornou-se um gesto de confiança na presença e no cuidado de Deus. A oração, a escuta da Palavra e o incentivo fraterno sustentaram os peregrinos durante toda a jornada.
Alegria: A perfeita alegria franciscana manifestou-se no entusiasmo compartilhado, mesmo diante do cansaço, e na esperança renovada de que a paz e a justiça se constroem por meio da comunhão e do serviço.
A caminhada foi concluída em Vargem Bonita com a celebração da Santa Missa, presidida por Frei José Agnaldo Querobino, OFM. Ao final desse rito de passagem, os peregrinos retornaram às suas comunidades fortalecidos na fé e renovados em sua missão.
Rendemos graças a Deus por mais uma edição da Marcha Franciscana e agradece a todos que colaboraram para que essa experiência de fé, fraternidade e comunhão se tornasse realidade.
Paz e Bem!
Fotos: Frei Robério Antunes Ruas, OFM
























