A vocação presbiteral como serviço à Igreja de Deus

A vocação presbiteral como serviço à Igreja de Deus

Cada domingo do mês de agosto a Celebração Litúrgica é dedicada a uma específica vocação.

Agosto é dedicado às Vocações, tido então como o mês vocacional. Cada domingo do mês em questão a Celebração Litúrgica é dedicada a uma específica vocação. Sendo elas as vocações: sacerdotal, matrimonial, religiosa e leiga.

O texto desta semana foi escrito pelo Frei Vitor Vinicios da Silva, OFM, e fala sobre a Vocação Presbiteral. Leia:

Postaremos aqui no site da Província Santa Cruz, semanalmente durante esse mês de agosto, textos sobre essas vocações, produzidos para o jornal da Pastoral Vocacional. Confira a capa do Jornalzinho do Mês Vocacional:

Em idos anos, o bispo Agostinho lapidou a frase: “convosco sou cristão, para vós sou bispo; aquele é o nome da minha dignidade, este o nome da minha responsabilidade”. Nessas poucas palavras, o bispo nos recorda a real dignidade de todos nós cristãos – o batismo que nos torna filhos e filhas de Deus. Em consequência, aponta para a compreensão salutar não apenas do Ministério Episcopal, mas de todos os demais carismas. De maneira específica, partiremos dessa frase, escrita pelo doutor da Igreja, para deixar uma pequena reflexão sobre a vocação presbiteral.

Sendo a identidade cristã o batismo que nos torna iguais em Cristo – filhos(as) –, o Ministério Presbiteral, como todos os demais carismas, são serviços que têm como finalidade o povo de Deus, do qual ele também faz parte. A vocação presbiteral deve ser compreendida à luz da comunidade, no sentido de que a Igreja, povo de Deus, vem primeiro do que o serviço presbiteral. Em outras palavras, o presbítero existe para a Igreja e em função da Igreja e, nesse sentido, a comunidade não é um rebanho passivo, mas um grupo que possui identidade e que se articula em diversas funções (carismas), todas provindas do Espírito Santo.

Com base nessa compreensão, a vocação presbiteral é um chamado à função de direção. Inácio de Antioquia, em “Aos filadélfos”, compara o ministério ordenado ao pastor do rebanho, que tem quatro papéis. O primeiro, é o de guia, aquele que caminha à frente; o segundo, é o de provedor que não visa apenas ao caminhar, mas ao alimento adequado (pastagem e água); o terceiro, é a atenção em cuidar, em vigiar os animais ferozes e em não deixar as ovelhas expostas; e, por último, é o pastor solidário, que tem uma ligação afetiva de amizade e de solidariedade com o rebanho (cf. TABORDA, 2011, p. 71). Entretanto, é uma metáfora que pode nos levar à uma compreensão equivocada do presbítero pela sua ambiguidade.

A comparação da vocação presbiteral com o pastor e as ovelhas pode ser vista no aspecto do “poder de dominação” por parte daquele que guia. Corre-se o perigo de ver as ovelhas como passivas ao seu mando. Todavia, é preciso tomarmos consciência de que o verdadeiro pastor (presbítero) é chamado a conhecer as ovelhas, não apenas de forma teórica, mas vivencial. Uma maneira de obstruir esses caminhos equivocados é compreender a vocação do padre a partir do pastoreio delegado a Pedro no evangelho de João: o do amor. Por vezes, o medo desse pastoreio amor é de perder o lugar de prestígio e de “poder de dominação”, mas se quisermos ser fiéis ao mandato do Senhor, é preciso exercer o “poder de serviço” e nutrir essa mentalidade no povo por meio de formações e esclarecimentos do verdadeiro papel de ministro ordenado.

A prática de Jesus deve ser o modelo para os ministros ordenados e aqueles que se sentem chamados ao serviço, pois todo sacramento é celebração existencial do memorial do ministério de Cristo, que atua na vida do cristão e na comunidade. Em consequência, o “ser padre” não tem um fim em si mesmo e não é exercido na ótica do “poder de dominação”, que foi criticado pelo próprio Jesus, mas o poder realizado por Jesus em seu ministério terreno se assemelha à práxis do Servo de YHWH (“poder de serviço”) que visa à realização de cada ser humano e à do conjunto deles na liberdade a que Deus os chamou (Gl 5, 13). Desta forma, possamos pedir ao Espírito Santo que continue suscitando vocações presbiterais para exercer o pastoreio de Pedro em nossas comunidades e que eles possam realizar o serviço sempre à luz do Senhor Jesus e, ao mesmo tempo, que os vocacionados tenham a coragem de abraçar e responder ao chamado.

Por fim, nas palavras do pontífice Francisco na carta aos presbíteros, por ocasião da festividade do seu padroeiro, o Cura d’Ars, no 160° aniversário da sua morte: “que os presbíteros não […] isolem do vosso povo, nem dos presbitérios ou das comunidades. E, menos ainda, não vos encerreis em grupos fechados e elitistas. Isto, no fim, asfixia e envenena o espírito, pois ministro ardoroso é um ministro sempre em saída.”

Referência:

TABORDA, Francisco. A igreja e seus ministros: uma teologia do ministério ordenado. In: Coleção Teologia Sistemática. São Paulo: Paulus, 2011.

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