14 de setembro – Festa da Exaltação da Santa Cruz 

14 de setembro – Festa da Exaltação da Santa Cruz 

Mais do que recordar um antigo instrumento de suplício, a data celebra a Cruz como estandarte de salvação e marca o dia da Província Santa Cruz.

Celebrada no dia 14 de setembro, a Festa da Exaltação da Santa Cruz transforma o antigo símbolo de suplício no maior estandarte de vitória, amor e salvação do cristianismo. A teologia desta data não celebra o sofrimento em si, mas a entrega total de Jesus por toda a humanidade. 

A fundamentação bíblica dessa devoção remonta ao Antigo Testamento, quando Deus ordenou a Moisés que erguesse uma serpente de bronze sobre uma haste no deserto, curando todos os que a olhassem após serem picados por serpentes. No Evangelho de São João (Jo 3, 14-15), o próprio Jesus retoma esse episódio como uma profecia de sua missão, afirmando que, do mesmo modo como Moisés levantou a serpente, era necessário que o Filho do Homem fosse levantado para que todo aquele que n’Ele crê tenha a vida eterna. Como resumiu São Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios (1Cor 1, 23-24), a pregação de Cristo crucificado pode parecer loucura para uns e escândalo para outros, mas representa o verdadeiro poder e sabedoria de Deus. 

Historicamente, a data de 14 de setembro reúne dois grandes acontecimentos da Igreja. No século IV, Santa Helena, mãe do imperador Constantino, viajou à Terra Santa e encontrou a verdadeira Cruz de Cristo. No local do Gólgota e do Santo Sepulcro, construiu-se uma grande basílica, dedicada no dia 13 de setembro de 335. No dia seguinte, a relíquia foi mostrada e elevada publicamente para a veneração do povo. Séculos mais tarde, em 628, a relíquia foi recuperada dos persas pelo imperador Heráclio. A tradição narra que Heráclio tentou carregá-la vestido com trajes reais, mas só conseguiu atravessar as portas de Jerusalém após despojar-se do luxo e vestir túnicas simples de penitente. 

Essa festa guarda uma ligação profunda com a tradição franciscana, na qual a Cruz é o coração da experiência mística. Conforme narra a Legenda Maior de São Boaventura, no processo de conversão de São Francisco, houve um momento decisivo diante do Crucifixo de São Damião, quando Cristo lhe dirigiu a palavra para restaurar a Sua Igreja. Essa mesma interiorização transborda na oração registrada por Tomás de Celano na Vida Primeira (1Cel 45): “Nós vos adoramos, santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas que estão no mundo inteiro, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo”. 

O ápice dessa conformação ocorreu em meados de setembro de 1224, no Monte Alverne, onde Francisco fazia a Quaresma de São Miguel. Segundo o relato da Legenda Menor de São Boaventura (Cap. 6) e das Considerações sobre os Sacrossantos Estigmas nos Fioretti, às vésperas da festa da Exaltação da Santa Cruz, Francisco teve a visão de um Serafim crucificado de seis asas flamejantes. O ardor desse amor deixou impresso em sua carne os próprios estigmas de Cristo, selando na vida do Poverello a união perfeita entre a dor da Paixão e a glória da Ressurreição. 

Neste dia, celebramos o dia da Província Santa Cruz. Rendemos graças a Deus pela vida e atuação de cada frade e de cada fraternidade, por todo serviço assumido em função da evangelização. Que o Senhor, vitorioso na cruz, continue orientando nossos passos e nos indicando sempre o caminho dos crucificados da história. 

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